Segundo a presidente do LEC, Carla Martins, o evento que tem como lema “Urbes cabo-verdianas tecnologicamente eficientes e sustentáveis” visa essencialmente incrementar e dinamizar o setor da construção civil, fazendo uma interface com as áreas mais tecnológicas, nomeadamente a tecnologia de construção e os sistemas construtivos.

O que se quer, acrescentou aquela responsável, é desafiar os decisores políticos, técnicos do setor e projetistas que pensam e criam as cidades e todos quantos intervêm de uma forma ou outra nas cidades cabo-verdianas sobre o papel que lhes são reservados, tendo em vista o desenvolvimento sustentado do país.

“A ideia fundamental é de despertar, alertar e pôr a tónica no desempenho desses atores que devem dar respostas e soluções eficientes e sustentáveis recorrendo quando possível às tecnologias inovadoras”, indicou.

Esse processo, salientou, muitas vezes passa pela especialização do território, obriga a iniciativas colaborativas e sinergias pela via da parceria e identificação de atores interlocutores em todos os momentos das várias intervenções, obrigando a um envolvimento inclusivo e economicamente sustentável.

A conferência tem a duração de dois dias e reúne profissionais, docentes, estudantes representantes das empresas nacionais de engenheira e arquitetura, entre outras individualidades.

“Soluções em Betão – evolução e novos desafios”, foi um dos temas apresentados e debatidos na manha de hoje, tendo como orador o engenheiro português José Marques que é diretor técnico da Cimpor.

Durante a sua explanação adiantou que utilizando o betão e o cimento é possível ter soluções arquitetónicas que podem mudar totalmente o aspeto das cidades e das vilas através das ditas novas soluções.

“Nós podemos utilizar, por exemplo, o betão colorido para dar uma nova dinâmica às nossas construções. Temos betões porosos, betões desativados, betões translúcidos, betões florescentes que são soluções recentes que permitem mostrar que o betão é um produto versátil, quando comparado com outras soluções construtivas nomeadamente a madeira e ou o aço”, precisou.

José Marques indicou que é possível ter soluções económicas, sustentáveis e que podem trazer vantagens para a melhoria das cidades em Cabo Verde.

Por outro lado, explicou que a sustentabilidade na utilização do betão reside no facto de este ser de tal maneira versátil que permite na sua utilização a incorporação de diversos materiais nomeadamente resíduos industriais.

“Por exemplo hoje em dia no betão é possível utilizar agregado reciclados, isto é, material que já foi utlizado para outros fins, que é processado novamente e reutilizado no betão, resíduos de outras industrias, que se não forem utilizados para fazer betão são colocados em parques traduzindo num problema ambiental”, sustentou.

“Gestão eficientes de recolha de resíduos”, “impermeabilização”, “influência de adição de pozolanas naturais e de cinzas de combustão no desempenho de betões de cimento eco-eficientes com baixo teor de cimento”, são outros temas previstos no programa da conferência que está enquadrada nas atividades comemorativas dos 26 anos do LEC.