Apesar dos desenvolvimentos dos últimos anos, os computadores quânticos ainda não são capazes de ir além de alguns cálculos experimentais, limitados, mas isso pode estar a mudar. E para tornar mais claro o potencial de transformação, a IBM partilhou hoje o seu roadmap de desenvolvimento, que em 2023 prevê a concretização do IBM Quantum Condor, com um processador de 1.121 qubit, um passo importante para a criação de um computador quântico full-stack, implantado na cloud que qualquer pessoa no mundo possa programar.

"Temos o objetivo final de aceder a um reino além do que é possível em computadores clássicos: queremos construir um computador quântico em grande escala", explica Jay Gambetta, vice presidente da IBM Quantum, sublinhando que  "o computador quântico do futuro vai preencher as lacunas onde os computadores clássicos vacilam, controlando o comportamento dos átomos para executar aplicações revolucionários em todos os setores, gerando materiais que mudam o mundo ou transformando a maneira como fazemos negócios".

E como se concretiza essa meta? A equipa da IBM está a desenvolver um conjunto de processadores escaláveis até ultrapassar os 1.000 qbits do IBM Quantum Condor, mas os desenvolvimentos passam também pela criação de hardware para arrefecer os processadores, com uma dimensão maior do que o que está disponível comercialmente.

A computação quântica é vista como a área de desenvolvimento que tem potencial para resolver alguns dos maiores desafios do planeta através de uma capacidade computacional sem precedentes, e que ultrapassa largamente os limites da computação tradicional. O tema não é fácil de entender e mistura a física e a engenharia, usando a matemática de partículas elementares para criar processadores que executam circuitos quânticos em vez dos circuitos lógicos de computadores digitais.

Na prática os computadores quânticos usam partículas quânticas reais, átomos artificiais ou propriedades coletivas de partículas quânticas como unidades de processamento e aproveitam o comportamento da física quântica, trazendo novos conceitos aos métodos tradicionais de programação e usando a superposição, emaranhamento e interferência quântica para cálculo de simulações complexas de forma muito mais rápida. Mas ainda há desafios a ultrapassar, nomeadamente na capacidade de controlar grandes sistemas de qbits durante o tempo suficiente, e com a minimização de erros, para executar os complexos circuitos quânticos que são exigidos pelas aplicações.

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