A informação foi avançada no Parlamento, na sequência de uma intervenção do líder do grupo parlamentar do PAICV (oposição), Rui Semedo, que considerou que o apagão de Internet de 24 horas, registado no país entre quarta e quinta-feira não pode ser considerado como uma situação normal.

Rui Semedo, que falava no período de questões gerais lembrou que Cabo Verde quer apostar nas tecnologias digitais como uma das vias para o desenvolvimento e salientou que essa situação poderá por em causa essa ambição de Cabo Verde de ser a plataforma digital.

“Um país com esta ambição, um país que já tem a sua economia de uma forma ou de outra ligada à Internet sabe qual é prejuízo de 24 horas de apagão”, afirmou o representante do principal partido da oposição, alertando que esse corte sirva de lição para que o país se prepare para ter alternativas de provedor e evitar outras situações da mesma natureza.

“O que aconteceu poderá ter impacto na ambição que Cabo Verde de competir com outros países na região ou no mundo”, sustentou.

A declaração de Rui Semedo suscitou várias reacções dos deputados dos dois maiores partidos com assento parlamentar, nomeadamente do deputado do MpD, Carlos Monteiro, que disse que essa situação aconteceu por culpa do anterior Governo, liderado pelo PAICV, que na sua opinião não fez os devidos investimentos.

Em resposta, o ministro de Estado, dos Assuntos Parlamentares e da Presidência do Conselho de Ministros e ministro do Desporto, reafirmou a ambição do Governo e disse que Cabo Verde tem todas as condições para ser uma plataforma digital com qualidade.

“Tem recursos humanos, está a trabalhar e iremos conseguir ser uma plataforma digital com uma economia digital a contribuir para o desenvolvimento do país”, declarou Fernando Elísio Freire.

Apesar de considerar que aquilo que aconteceu em Cabo Verde quarta-feira, 22, ter sido um caso raro, que não só afectou Cabo Verde, adiantou que o Governo está a fazer um investimento de 25 milhões de dólares que irá reforçar a capacidade de aguentar a situação através do cabo Ellalink.

“Tudo isto é para melhorarmos a nossa situação. Aquilo que aconteceu na quarta-feira já aconteceu em Cabo Verde no passado e houve problemas no acesso à Internet em vários países do mundo. Não foi só Cabo Verde e são países altamente desenvolvidos em termos de tecnologia, tiveram problemas no acesso à Internet”, sustentou.

Cabo Verde voltou a ter acesso à Internet na tarde quinta-feira, cerca de 24 horas depois de uma instabilidade provocada por falhas no fornecedor internacional do serviço.

O país tinha ficado sem Internet na tarde de quarta-feira, devido a falhas no TATA Communications, fornecedor internacional que disponibiliza o serviço à Cabo Verde Telecom (CV Telecom), empresa do Estado que administra a rede de telecomunicações.

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