Criado em 2005, o Google Maps é um dos serviços mais usados da gigante Google que permite aos utilizadores aceder a qualquer parte do globo a partir do ecrã de um computador, tablet ou telemóvel.

Dois anos após o lançamento do Maps, a Google sentiu a necessidade de dar mais detalhes aos mapas disponibilizados, surgindo assim o Google Street View "que disponibiliza vistas panorâmicas de 360° na horizontal e 290° na vertical" e que permite aos utilizadores ver fotos reais dos locais.

Segundo um inquérito elaborado pelo The Manifest, o Google Maps é o sistema de mapas preferido dos utilizadores com 67% dos votos, segue-se o Waze (também da Google) e depois Apple Maps.

Ciente destes factos e a pensar no mercado turístico, a iMedia, uma startup cabo-verdiana formada por 8 jovens que surgiu em janeiro de 2018, teve a ideia de apostar no mapeamento móvel de Cabo Verde. Cientes do potencial de ter um mapeamento online do território nacional, principalmente a nível do turismo, a empresa resolveu apostar nesta área no Google Street View.

Cabo Verde 360°: Startup cabo-verdiana ambiciona mapear em 3D todo o território nacional

Segundo Óscar Borges, um dos fundadores da iMedia, a mais-valia da ferramenta é que permite ao utilizador “saber para aonde vai e ver virtualmente os destinos (de viagem)”. “Cada vez mais as pessoas usam estas ferramentas para descobrir os destinos para onde vão”.

As imagens em 360° exigem equipamento especializado no qual a empresa conseguiu investir e em dezembro de 2018 começou a mapear alguns pontos do país.

A primeira fase arrancou na ilha de Santiago, nomeadamente, cidade da Praia (centro histórico do Platô e alguns pontos da cidade da Praia), seguiu-se Cidade Velha e Tarrafal. Estiveram igualmente na ilha do Fogo e na Brava, onde fizeram um mapeamento mais modesto.

A ideia foi ter algum trabalho feito de modo a cativar potenciais interessados em apoiar o projeto, como as entidades públicas ligadas ao turismo.

“Poderíamos apresentar o projeto em papel, mas decidimos fazer pelo menos uma pequena parte para que as pessoas possam ver qual a aplicação prática do projeto”.

“Temos 1% do país mapeado e já temos cerca de 2 milhões de visualizações (…) o que mostra o interesse das pessoas”, adianta Óscar Borges.

Defende que o mapeamento dos vários cantos do arquipélago poderá contribuir para uma melhor distribuição do turismo até então, segundo a mesma fonte, focado nas ilhas de Sal e Boa Vista.

“O próprio turista pode dizer (porque já viu online): “Quero também visitar a Cidade Velha ou o Tarrafal, por exemplo”.

Segundo Borges, a Organização Mundial de Turismo já aborda temas relacionados com a transformação digital no âmbito do mercado turístico e que, inclusive, já há dados de que cada vez mais as pessoas querem explorar online antes de escolher um destino de viagem e querem ter a experiência mais próxima possível da realidade.

Cabo Verde 360°: Startup cabo-verdiana ambiciona mapear em 3D todo o território nacional

“O objetivo é fazer o mapeamento mais depressa possível e ter 100% do território mapeado”, mas para tal são necessários meios, nomeadamente parcerias público-privadas, argumenta.

Óscar Borges acredita que se houvesse financiamento, que rondaria os 8 mil contos, em cerca de 6 meses conseguiriam concluir o mapeamento.

O representante da empresa argumenta que o mapeamento é apenas uma das formas como as imagens em 360° podem ser usadas. Como forma de rentabilizar o investimento feito até então, a iMedia presta serviços diversos, por exemplo, a nível do setor imobiliário com visitas virtuais.

“A realidade virtual tem muitas aplicações por isso apostamos nessa área que é o futuro”.

Pontos turísticos em 360°

Paralelamente, a Imedia pretende apostar numa plataforma vocacionada para turistas, uma espécie de guia, aproveitando as imagens que já recolheram até agora no âmbito do ‘Cabo Verde 360°’.

Na plataforma, os utilizadores vão poder ver não só as imagens, mas obter informações sobre diferentes pontos turísticos do país. "Será tipo um guia com imagens em 360°".

A ambição da startup é lançar esta plataforma até ao final de 2019.

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