Como decorrem as aulas durante uma revolução? Quem pode ensinar matemática em aldeias remotas? E como é que as crianças aprendem a ler se não há nenhuma escola por perto? A resposta para estas questões parece estar nas novas tecnologias. Cada vez mais alunos em África usam smartphones para aprender. Podem usá-los para trabalhar online e ter acesso a uma fonte quase inesgotável de conhecimento.

O e-learning, ou ensino digital, está em expansão e é um mercado atraente para jovens empreendedores. Com ideias criativas, muitos preparam-se para preencher a enorme lacuna que existe nos sistemas de educação em África. A lista de empresas é longa, mas nem todas deverão alcançar o sucesso que desejam.

Uma dupla de sucesso

Os senegaleses Massamba Thiam e Arona Gueye fundaram a "Afriboard Education" há dois anos. Desenvolveram esta plataforma para escolas e quatro universidades e também criaram unidades de formação para funcionários de parceiros corporativos.

As salas de aula virtuais são utilizadas para transmitir conteúdos didáticos, fazer testes e realizar fóruns. Thiam e Gueye desenvolveram este software especial em Dakar, juntamente com uma equipa canadiana.

Quando estavam a estudar no Canadá, os dois empreendedores começaram a usar aplicações de e-learning e tornaram-se entusiastas. Durante uma visita ao Senegal quando ainda estudavam fora, decidiram recolher opiniões em escolas e círculos estudantis. "Eles tinham problemas com salas de aula lotadas e com a troca de conteúdos. Vimos uma grande necessidade de encontrar formas alternativas de aprendizagem", explica Massamba Thiam em entrevista à DW.

Os jovens tiveram então a ideia de criar uma aplicação simples que poderia motivar os alunos, mesmo em áreas remotas. "E também funciona com a navegação offline, uma nova tecnologia do Google", diz Massamba. "Os alunos fazem login e, se desligarem os dados móveis, continuam a poder navegar e trabalhar. Desenvolvemos uma tecnologia adaptada às situações africanas". Cada utilizador paga uma pequena taxa de uso pelo serviço.

Governos apoiam empreendedores

Nos últimos vinte anos, as limitadas oportunidades de educação e formação têm preocupado muitos pais, diz Massamba Thiam, que vê o ensino digital como única solução.

O Governo do Senegal apoiou o negócio dos dois jovens empresários com um financiamento inicial, no âmbito de um programa de incentivo para empresas emergentes promissoras.

Para a especialista em comunicação Rebecca Stromeyer, não foi uma surpresa esta injeção financeira no Senegal. "Quénia, Gana, Senegal, Costa do Marfim, África do Sul, Nigéria e Ruanda estão entre os líderes de mercado do ensino digital em África. Algo possível graças ao desenvolvimento económico destes países, sistema educativo, criatividade e inteligência da população mais jovem, mas também por causa do apoio dos governos para soluções de infraestrutura e tecnologia", afirma em entrevista à DW.

Mais de 200 "start-ups" em África

Rebecca Stromeyer trabalha na ICWE (Integrated Communications, Worldwide Events), uma empresa de comunicação internacional em Berlim. É a fundadora da eLearning Africa - uma conferência que, desde 2006, tem sido realizada uma vez por ano no continente africano. Num relatório publicado no ano passado, Stromeyer publicou uma lista de 200 novas empresas inovadoras em África, que precisa agora de ser complementada com 30 novas de empresas.

Por exemplo, a "Eneza", do Quénia, é uma empresa que também está presente no Gana e na Costa do Marfim. Fornece material didático e de aprendizagem para alunos do ensino básico e liceus. Também tem recebido muitos elogios a empresa "ubongo", na Tanzânia, que desenvolveu jogos educativos para promover a capacidade de aprender, diz Stromeyer.

Ainda no Quénia, a "M-Shule" oferece cursos de matemática e programas de alfabetização para crianças da escola primária. No Uganda, a "Brainshare", uma plataforma de aprendizagem online, disponibiliza aulas particulares. E na Nigéria, o "Talking Bookz" é o primeiro mercado online de áudio-livros em África.

Soluções africanas

A indústria de informação e telecomunicações na África subsaariana está em rápido crescimento e também se está a dedicar especificamente à educação - às chamadas Tecnologias de Educação ou EdTech. "Fala-se muito de EdTech, o que é um sinal do espírito empreendedor dos jovens africanos que criaram empresas para encontrar soluções africanas para problemas africanos", explica Rebecca Stromeyer. "Os que são bem-sucedidos têm potencial para trazer as suas plataformas para os mercados de outros países em África e no mundo".

O maior obstáculo continua a ser o acesso à Internet e o fornecimento inadequado de energia.

No entanto, há diferenças de país para país. O Quénia, por exemplo, tem uma boa ligação à Internet, ao contrário do Chade, acrescenta Stromeyer. "Outro obstáculo são os investimentos ou os empréstimos bancários, que são difíceis de obter. E em África são cobrados juros altos de cerca de 18%", refere. Em alguns países, o Governo não está disposto a ajudar com subsídios.

Atrair os professores

Contudo, ideias criativas e injeções financeiras não são uma garantia de sucesso. O marketing e o modelo financeiro também devem ser adequados, enfatiza a especialista em comunicação. Quais são os benefícios? Quem financia o modelo de negócio? "Todos estes fatores têm de ser tidos em conta para que uma empresa seja sustentável e dure muito tempo", lembra Rebecca Stromeyer, acrescentando que também seria benéfico se as empresas puderem aprender umas com as outras.

Mas como atrair associações de professores para formas alternativas e complementares de aprendizagem? "O nosso maior desafio é mudar o comportamento dos professores", responde o empreendedor senegalês Massamba Thiam. "As gerações mais velhas não estão familiarizadas com os métodos digitais. Mas essa atitude muda quando lhes explicamos como estas ferramentas tornam a vida mais fácil."

por: Martina Schwikowski, ms

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