Isaías Barreto fez esta afirmação durante o ateliê temático sobre “Estratégia de Desenvolvimento da Economia Digital no Horizonte 2030”, por video-conferência, em que abordou a questão da “África digital 2030, desafios e oportunidades”.

Em termos de oportunidade, disse que há quatro pontos essenciais que Cabo Verde pode aproveitar dentro do continente que estão ligados à área de governação electrónica (E-Gov), Cloud Computing/soberania tecnológica, Fintech e Internet of Things (IOT).

Em relação ao primeiro ponto, fez referência que o país tem uma “vasta experiência” em matéria da E-Gov e é visto como uma “referência no desenvolvimento” das TIC e de boa governação, mas ainda é preciso fazer mais para vender essas experiências.

“Precisamos de um marketing muito mais agressivo. Andamos a falar muito e a fazer pouco, precisamos pôr a nossa diplomacia económica a funcionar, (…) temos muitas soluções aqui que podemos vender e disponibilizar serviços para outros países”, frisou.

Outro aspecto importante é que Cabo Verde pode oferecer serviços de Cloud Computing naquilo que diz respeito a soberania tecnológica, ao Date Center e a protecção de dados pessoais.

Relativamente a Fintech, disse que há uma “grande necessidade” de facilitar mecanismos de pagamento electrónicos intra-regional.

Exemplificou que os “grandes operadores” no continente estão a aproveitar isso, como é o caso da Orange e da MTN, que têm mecanismo de transferência de dinheiro de um país para outros, mas em Cabo Verde os operadores não podem fazer isso, devido às restrições a nível da regulação.

“Nós precisamos de olhar para esta questão porque se todos os países do continente africano têm o ‘mobile money’, nós não somos nem melhores e nem piores do que os outros e podemos fazer isso, sobretudo porque há uma grande oportunidade”, disse, ajuntando que Cabo Verde pode desempenhar um “papel importante” nesta matéria e pode seguir a abordagem semelhante da Asky e Ecobank.

Já em termos de Internet of Things (IOT), uma vez que hoje tudo é ‘smart’, defendeu que há soluções IOT que podem ser desenvolvidas em ambientes universitários como o sistema de controlo de perdas de água, sistema automáticas de irrigação gota-a-gota, sistema de gestão de resíduos, entre outros.

Neste processo, sublinhou que as universidades desempenham um “papel preponderante” nesta matéria na área de investigação, transferência de tecnologia e incubação e formação direccionada para emprego em áreas de grande procura.

Falando de desafios, Isaías Barreto, que foi comissário para as Telecomunicações e Tecnologias da Informação e Comunicação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), disse que o continente poderá ter as melhores infraestruturas de telecomunicações do mundo, mas se não tiverem boas políticas de nada servirão essas infraestruturas.

Com base nisso, os desafios para o continente estão ligados a infraestruturas de telecomunicações e políticas de desenvolvimento das TIC.

As estratégias de continente, sublinhou, têm sido a nível da harmonização das políticas e do quadro regulamentar, ou seja, criar um mercado único.

Isto é, a nível da CEDEAO, a ideia é criar um mercado único para os 15 países e ao nível do continente a ideia é facilitar a realização de negócios entre os 55 países da União Africana.

No final da sua apresentação, o presidente da ARME concluiu ainda que é preciso mudar o olhar que se tem sobre o continente africano, uma vez que as narrativas actuais sobre África muitas vezes apresentam uma “visão enviesada” da realidade do continente.

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