Quando decidiste abraçar o desafio de seres uma empreendedora?

Fundei a escola em outubro de 2015. Nunca vi o processo como um desafio, mas sim um sonho que queria concretizar. Queria ter um lugar onde as crianças pudessem aprender inglês, de forma diferente do tradicional, como aprendi. Sou professora a tempo inteiro na UniCV, mas quis sempre ter um espaço onde podia aplicar os conhecimentos adquiridos durante o meu mestrado nos Estados Unidos, o que foi essencialmente ensino da língua inglesa para crianças.

Porque escolheste a área das línguas, nesse caso, o inglês?

Por ser professora de Inglês e nunca ariscaria iniciar um projeto do qual não tenho aptidão ou formação. Há uma demanda bem grande hoje em dia, as pessoas querem ser proficientes na língua inglesa por vários motivos que já conhecemos.

Quase todas as empreendedoras com quem tenho conversado referem dificuldades na obtenção de recursos para iniciar a atividade. Também passaste pelo mesmo?

Sim. O maior desafio foi recolher recursos para iniciar e, por outro lado, definir de uma forma bem clara qual seria a nossa metodologia de ensino que se diferenciasse das outras.

Falas claramente da inovação, que é algo que hoje dita o sucesso de um negócio. Nesse caso, o que de novo quiseste trazer?

A nossa escola baseia-se numa instrução diferenciada, que vai ao encontro das necessidades das nossas crianças. Aprendi o inglês num ambiente tradicional, onde o ensino era focado na gramática. Hoje, entendemos que o sucesso das nossas crianças está numa atenção diferenciada porque “one size doesn’t fit all”! Cada criança tem a sua forma de aprender e as suas necessidades! Na nossa escola, focamo-nos no “learn by doing”, o que diferencia muito das outras escolas de línguas. Um outro diferencial é a introdução do Project Based Learning, que é uma forma de avaliar os alunos sem ser a forma tradicional ou seja através de testes sumativos.

Qual é a maior satisfação em seres dona do teu negócio?

Para mim é o poder de transmitir o pouco que sei fazer bem aos outros. Mas também o desafio de aprender e descobrir com os erros e sucessos do dia a dia acaba por dar uma satisfação bem grande a alma e a mente.

Há espaço para negócios ligados ao ensino das línguas, com tanta concorrência no mercado? Como tem sido lidar com a concorrência e ainda ganhar dinheiro?

O lucro, em termos monetários, ainda não vi, mas todos os dias presencio resultados na performance das crianças e não só, e isto já é uma recompensa! Quanto ao mercado, há sim, mas temos que pensar grande, mesmo que os passos sejam pequenos! A nossa forma de triunfar é não perder a qualidade e continuar a receber os elogios dos nossos alunos e pais.

Alguma vez sentiste que o facto de seres mulher trouxe-te algum constrangimento?

Não. Muito pelo contrário. Por ser uma escola essencialmente para o ensino da língua inglesa para crianças, o facto de ser mulher facilita bastante a interação com os pais. Para além de ser professora, sinto a responsabilidade de cuidar como mãe e assim o faço.

Como vês a mulher cabo-verdiana relativamente a abraçar causas, enfrentar desafios e serem verdadeiras empreendedoras?

Todo o empreendedor enfrenta uma sequência de desafios e a mulher cabo-verdiana não foge à regra. Contudo, é nosso instinto lutar incansavelmente ate atingir os objetivos e a cabo-verdiana foi sempre uma empreendedora com capacidade de gerir pequenos recursos para o sustento de uma família.

Que mensagem deixas mulheres que perspetivam iniciar uma carreira empreendedora?

Primeiro, têm que ter objetivos claros e sólidos. Não é só o querer, mas saber abraçar os desafios e transformá-los em oportunidades.

Zita Vieira: “Temos que pensar grande, mesmo que os passos sejam pequenos”
créditos: Fotos cedidas

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