A afirmação é do pároco da freguesia da Nossa Senhora da Conceição, padre Lourenço Rosa, que, aquando da visita do mais alto representante da Igreja Católica a Cabo Verde, entre 25 e 27 de Janeiro de 1990, com passagem pelas ilhas do Sal, Santiago e São Vicente, se encontrava em Lisboa, Portugal, no primeiro ano de Filosofia e Teologia.

Padre Lourenço Rosa, que veio a ser ordenado a 04 de Outubro de 1998, oito anos depois da visita do Santo Padre, disse que apesar de estar longe na altura da visita foi com “muita alegria” que acompanhou e participou, através das imagens e mensagens recebidas, sobretudo da multidão imensa que recebeu João Paulo II, que na altura já era santo e que depois foi canonizado “para a felicidade de todos”.

A primeira e única visita de um Papa a Cabo Verde, segundo o pároco de Nossa Senhora da Conceição, representa, para a Igreja Católica, “a visita do vigário de Cristo, do pastor da igreja universal, um momento de acto comunhão”, e para os cristãos, uma visita do “ilustre homem de Deus”.

“A vinda do Papa foi motivo de alegria, não só para os católicos e professantes da mesma fé, mas com certeza as outras religiões não ficaram tristes com a visita de João Paulo II a Cabo Verde, até porque a Igreja Católica esforça-se sempre para ter momentos de comunhão, respeitando a diversidade de cada um”, disse o padre Lourenço Rosa a propósito, avançando que, a nível politico, a visita do Papa representou “um marco importante”.

Passado três décadas da visita, este observou que a Igreja continua com “aquele vigor cada vez mais consciente e jovem”, observando que durante este período de 30 anos procurou-se ler e reler a mensagem deixada pelo Papa João Paulo II, nas reuniões com os grupos.

A formação dos leigos, segundo o mesmo, foi uma das recomendações deixada pelo Papa para tratar das vocações religiosas sacerdotais e, sobretudo, a formação dos leigos, dando-lhes responsabilidades na igreja, sublinhando que “hoje em todas as paróquias da diocese e de Cabo Verde, em geral, os leigos assumem responsabilidade da actividade pastoral, a pastoral dos leigos”.

A pastoral dos leigos, acrescentou, “é muito importante”, porque um padre sozinho “não pode fazer tudo”.

“Aquilo que é típico do padre, fazemos, como celebrar a Eucaristia que exige tempo para a preparação e celebração, depois o sacramento de reconciliação”, disse o responsável da paróquia da Nossa Senhora da Conceição, vincando que estes dois sacramentos são próprios do sacerdote e ele tem de estar disponível, mas que o resto de trabalhos pastorais, como a organização e a administração da paróquia, estão nas mãos dos leigos, dando-lhes formação para estarem à altura dos desafios de hoje.

Questionado se faz sentido a visita do Papa a Cabo Verde, 30 anos depois, padre Lourenço Rosa disse que este é o desejo de todo e qualquer cabo-verdiano, e que não duvida que a visita do Papa Francisco, por exemplo, a Cabo Verde, é um desejo de todos, salientando que “não há ninguém que vai dizer não quero, não desejo que venha”.

Mas lembra que a visita de um Papa a um país “é complexa e exige muita organização e responsabilidade”, porque se trata do Pastor de uma Igreja, neste caso católica, mas ao mesmo tempo do chefe de Estado do Vaticano, duas “grandes instituições” que têm de pensar isso.

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