De todos os países vizinhos, o Senegal é talvez o mais conhecido dos cabo-verdianos, quer pela sua música quer pela sua história, ou mesmo pela sua gastronomia. Nos últimos tempos, têm sido muitos os cidadãos deste país a emigrar para Cabo Verde ou que decidiram estabelecer por aqui alguns negócios.

Situado na costa ocidental africana e a pouco mais de 500 kilómetros das ilhas de Cabo Verde, a República do Senegal tem sido uma referência da democracia em África, desde a sua independência da França, em Junho de 1960, e com a eleição de Leopold Sedar Senghor, poeta e humanista, como primeiro Presidente da República.

Após 20 anos no poder, Senghor retirou-se voluntariamente, passando o poder para Abdou Diouf, em 1980. Esta tradição democrática remonta ainda ao tempo da colónia, quando o Senegal tinha representantes no parlamento francês.

Com uma forte influência francesa na sua arquitectura, Dacar, a capital, situa-se no ponto mais ocidental de África, sendo uma das cidades mais dinâmicas da região, fruto da sua importância estratégica do tempo da África Ocidental Francesa.

O país deve o seu nome ao rio Senegal, que atravessa o norte do país, onde os navegadores portugueses, primeiros europeus a visitar a região, chegaram ainda no século XV. Para além do Senegal, mais dois rios atravessam o país: o Gâmbia e o Casamance.

Apesar da forte influência europeia, sobretudo nas cidades (30% da população é urbana), a maioria da população (94%) é muçulmana, cuja conversão se iniciou ainda no séc. X, após o início das relações com o Norte de África.

Ao contrário de Cabo Verde, sua composição étnica é muito variada. A maior parte da população é constituída pelos Wolof (44%), Fulas e Toucoleur (24%), Serers (15%), Diolas (5%) e Mandinga (4%).

Durante o séc. XIV, o Império Mali dominava a região, mas no séc. XV os wolof estabeleceram o Império Jalofo no Senegal.

São vários os pontos de contacto entre Cabo Verde e o Senegal, a começar pelo nome das ilhas. Estas foram baptizadas pelos Portugueses de 'Ilhas do Cabo Verde', em referência a um cabo verdejante situado na costa africana, à mesma latitude.

No início do século XX deu-se início à emigração de cabo-verdianos para Dacar, aproveitando o movimento de veleiros nas duas direcções. O resultado foi o estabelecimento de uma significativa comunidade oriunda das ilhas, em especial de Santo Antão e São Vicente, nas cidades de Thyès e Dacar, hoje prestigiada e muito bem integrada na sociedade senegalesa.

Estes cabo-verdianos e seus descendentes são conhecidos localmente por 'Portunganhas', e muitos filhos e netos dos primeiros imigrantes iniciaram, em meados dos anos 90, um movimento de regresso às ilhas, constituindo, hoje, uma pequena comunidade residente essencialmente na cidade da Praia. São, na maior parte, quadros médios e superiores, trabalhando no ensino, nos órgãos do Estado e em ONG.

Alguns nomes oriundos desta comunidade emigrada ficaram famosos, como o empresário José 'Djô' da Silva, na Lusáfrica, os músicos Boy G. Mendes, René e Manu Cabral, dos Cabo Verde Show, o futebolista francês Patrick Vieira e o guarda-redes da selecção senegalesa Toni Sylva, entre outros.

Ainda no desporto, Cabo Verde e o Senegal enfrentaram-se algumas vezes no campo nos vários torneios da Taça Amílcar Cabral, desde a sua criação, em 1979. O Senegal é o vencedor de mais edições: nove títulos.

Outro aspecto em comum com Cabo Verde é a ilha de Gorèe, situada em frente a Dacar, que, à semelhança da Ribeira Grande, foi um importante centro de tráfico de escravos. Este tráfico foi levado a cabo primeiro pelos portugueses, a partir do séc. XVI, depois pelos holandeses e pelos franceses, todos responsáveis pelo transporte de milhares de escravos africanos rumo às Américas.

Muitos artistas do país vizinho são conhecidos do público cabo-verdiano, marcando presença em alguns festivais musicais das ilhas, como Youssou N Dour, Babamal, Ismael Lo, etc., para além de muitos rappers da cena hip hop de Dacar (em wolof, francês e inglês), uma das mais pujantes de toda a África.

Facto marcante, nos últimos anos, na política do país vizinho, é o Movimento das Forças Democráticas de Casamance (MFDC) que desde 1982 luta pela independência da região de Casamance, ao sul de Gâmbia, uma região cuja maioria da população comunica em crioulo português da Guiné-Bissau.

Em 2000, Abdoulaye Wade, do Partido Democrático Senegalês (PDS), derrota Diouf e é eleito Presidente da República, sendo reeleito em 2007. Mas o poder voltaria a mudar de mãos, em Março de 2012, com a eleição de Macky Sall, de 50 anos, e ex-primeiro-ministro de Wade, com que rompera relações anos antes.

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