A responsável do Comité de Coordenação de Combate à Sida (CCS-SIDA) fez essas considerações à margem do acto de assinatura do protocolo de cooperação com a CV Telecom, no âmbito do processo de prevenção da transmissão vertical do VIH- SIDA (Vírus da Imunodeficiência Humana).

“A prevenção da transmissão vertical do VIH é um dos grandes desafios de Cabo Verde assumidos em todos os quadros estratégicos de luta contra Sida, desde de 2006”, indicou, lembrando que o quarto plano estratégico do VIH-Sida estabelece como meta a eliminação de transmissão desse vírus de mãe para filho, no horizonte de 2020.

Em 2018, lembrou, Cabo Verde foi identificado como um dos países africanos com grandes potencialidades para obter o certificado da eliminação do VIH e da sífilis de mãe para filho.

A responsável garantiu, por outro lado, que mais de 90 % das grávidas têm serviços de aconselhamento e testes nas primeiras consultas.

Para o PCA da CV Telecom, José Luís Livramento, este acordo significa o sentimento do dever cumprido, uma vez que, no entender dele, combater a transmissão vertical do VIH, é “evitar que um bebé, desde a sua nascença, esteja marcado pela vida toda através desse vírus”.

“Sabemos que hoje o VIH é praticamente uma doença crónica, mas sabemos também que trazer isso durante toda a vida, um inocente, que não pediu para vir ao mundo, ficar marcado por toda a vida, deve chamar a nossa consciência para tal facto”, admitiu.

Para este gestor, Cabo Verde precisa de todos os seus filhos saudáveis. Neste sentido, o mesmo garantiu que a organização que dirige tem apoiado esta causa há mais de oito anos.

Por sua vez, a vice-presidente da Rede de Pessoas Seropositivas, Josefa Rodrigues, afirmou que as pessoas que vivem com VIH em Cabo Verde são oriundas das camadas sociais desfavorecidas, afectadas pelo baixo nível de escolaridade e pela fraca inserção no mercado do trabalho.

“Ainda, 50 por cento (%) das pessoas seropositivas vivem com um rendimento anual muito baixo, o que demonstra alto nível de pobreza”, citou, enaltecendo o apoio dos parceiros em prol da “mais dignidade das pessoas portadoras do VIH”.

“Os desafios da Rede Nacional de Pessoas que vivem com VIH é também dar o seu contributo no alcance dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas estratégias da ONU SIDA, “os três 90”, contribuindo para a eliminação do HIV SIDA em Cabo Verde”, assegurou.

Leila Rodrigues, uma das beneficiárias do protocolo rubricado hoje, declarou, emocionada, que esta luta das mulheres seropositivas de Cabo Verde “é de todos nós”.

“Cada um pode fazer a sua parte na luta contra o VIH e Sífilis em Cabo Verde, para que as nossas crianças tenham uma vida saudável”, sugeriu.

A mesma fonte apelou à união entre as mulheres e aproveitou para agradecer os serviços de saúde pelos seus contributos.

De acordo com o referido protocolo, durante dois anos a CV Telecom vai apoiar a CCS –SIDA anualmente com 550 mil escudos.

O primeiro caso de Sida declarado em Cabo Verde aconteceu em 1986. Foi num emigrante que vivia em Paris, França. O indivíduo era natural da ilha do Fogo. Na base das observações clínicas, de acordo com a documentação existente, na altura, poderão ter existido três casos presumíveis de SIDA, sendo dois na Praia e um em São Vicente.

Entretanto, em Dezembro de 2016 o ministro da Saúde e Segurança Social anunciava que a meta da OMS que prevê a redução das insfecções do HIV/Sida em 90% (por cento) até 2020, representa para o País um “desafio enorme” na mobilização de recursos para a sua efectivação.

Arlindo do Rosário que falava na cerimónia das comemorações alusivas ao Dia Internacional de luta contra a SIDA, cujo lema nesse ano era “Aceda aos direitos da equidade no acesso aos serviços de prevenção e controlo”, fazia alusão às estratégias que a Organização Mundial da Saúde traçou para o combate e redução da infecção do HIV/Sida de 2016 até 2020, e que se estriba naquilo que se designou por “Três 90% por cento”, ou seja, detetar 90 por cento dos infectados, dos quais 90% serão seguidos e cuidados, para que em 2020 a infecção seja “indetetável” em 90 por cento desses infectados que foram seguidos.

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