O vereador da câmara da Ribeira Grande, Francisco Dias, que responde pelo pelouro da protecção civil, avançou à Inforpress que a conferência, que deveria, inicialmente, realizar-se em Julho passado, foi “reprogramada” para o início de 2020, altura em que as autarquias esperam contar com a participação de várias organizações e especialistas internacionais, na área florestal.

Francisco Dias explicou que os municípios decidiram reformular o projecto da conferência, envolvendo, além do Governo, outros parceiros, com destaque para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e para a Organização das Nações Unidades para a Agricultura e Alimentação (FAO), além de organizações e especialistas provenientes, sobretudo, da Itália.

A conferência internacional sobre a gestão e manutenção das florestas é uma iniciativa das câmaras municipais de Santo Antão, numa parceria com a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e do Governo, através do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA).

A conferência, que deverá ainda contar com a parceria das organizações não-governamentais cabo-verdianas ligadas ao sector do ambiente, pretende debruçar-se, entre outras questões, sobre a situação do perímetro florestal do Planalto Leste, uma das maiores áreas florestais do arquipélago, com 1.600 hectares de extensão.

Desde o incêndio de Julho de 2018, que consumiu 200 hectares desta reserva florestal, os autarcas de Santo Antão têm vindo a defender a necessidade de se fazer uma reflexão sobre as políticas florestais em Cabo Verde, que devem, no seu entender, privilegiar aspectos como a manutenção e gestão dos perímetros florestais.

Em relação a Santo Antão, as câmaras municipais têm estado a defender a implementação de um plano integrado de salvaguarda da floresta do Planalto Leste, considerada o “pulmão” desta ilha, alvo, nos últimos 25 anos, de vários incêndios, que já terão consumido cerca de 250 hectares.

Os ambientalistas têm estado, igualmente, a defender a preservação deste património, com mais de 150 anos de existência, considerado “um ex-líbris” do turismo ecológico em Santo Antão, o qual, entendem, tem todas as condições para ser declarado património natural da humanidade.

Saliente-se que, na sequência do incêndio de grandes proporções de Julho do ano passado, que consumiu 13 por cento (%) da floresta, o MAA começou, agora em 2019, a implementar um plano de recuperação da zona ardida, com duração de três anos, num investimento à volta de 30 mil contos.

Este perímetro florestal abarca “uma boa parte” do parque natural de Cova/Paul/Ribeira da Torre, considerado o maior centro de biodiversidade de plantas endémicas em Cabo Verde, com 36 espécies.

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