Trata-se de uma luta que está a ser liderada por um grupo denominado “Fidjus de Tagara”, composto por cerca de uma dezena de naturais das três localidades e que abriu uma um grupo na rede social Facebook, onde também criou uma página de protestos.

Conforme explicou à Inforpress o porta-voz do grupo, Nelson Borges, a população recusa-se a aceitar que seja construída uma estrada de calçada em pedra e por isso já se manifestou em frente à Câmara Municipal de Santa Catarina e entregou, inclusive, um abaixo-assinado ao Governo e à autarquia local, mas que, afirmou, não obteve qualquer resposta até então.

Do ponto de vista dos opositores da colocação da calçada, no âmbito da requalificação da estrada que liga as localidades de Palha Carga, Chão de Lagoa e Entre Picos de Reda, a decisão é passível críticas, por “variadíssimas razões”, de entre as quais, jurídicas, técnicas, de coesão territorial ou justiça”.

Do ponto de vista jurídico consideram que a decisão viola o princípio da igualdade, uma vez que em localidades como Rincão, Mato Gegé ou Librão “optou-se, e bem”, pelo alcatrão.

No aspecto técnico, os moradores das três localidades consideram que a referida estrada projecta-se ao longo de uma encosta com acentuado declive, pelo que entendem que asfalto acarreta uma “maior eficiência” de custos, “reduz a poluição” sonora e “acresce em segurança” rodoviária, para além de factores de “sustentabilidade ambiental”.

Do ponto de vista da coesão territorial, dizem que a existência de boas vias de comunicação permite a circulação de pessoas e bens o que, por um lado, potencializa a dinamização da economia local e ser o motor do desenvolvimento das referidas localidades.

Por outro, afirmam, permite a fixação da população, travando o êxodo populacional que tem desertificado o interior do país.

Prosseguindo, referem que, no que toca à administração, invocam o princípio da “boa gestão”. Defendem que “optar pela calçada é uma decisão com fortes implicações do ponto de vista económico-financeiro, na medida em que dentro de poucos anos sentir-se-á a necessidade de remover a calçada para se alcatroar a estrada”.

“Nesta senda, apelando à solidariedade inter-geracional, não devemos fustigar as gerações vindouras com os encargos de uma decisão que, atendendo à factualidade que expomos, parece não ser a mais acertada”, lê-se no abaixo-assinado.

Por último, dizem que por uma questão de “justiça distributiva”, que em conexão com a Igualdade material, se justifica a alteração da decisão e a criação das condições de uma verdadeira Igualdade.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, na altura do lançamento das obras tinha realçado que uma estrada de calçada de pedra tem as mesmas condições de qualidade e segurança.

Defendeu ainda que a construção dessa estrada vai tornar mais fácil a circulação de carros, de pessoas, fazendo com que os produtores estejam mais próximos do mercado e ainda facilitar o acesso à saúde e à educação “em melhores condições”.

Conforme avançou, a obra vai criar 140 empregos directos e mais 70 calceteiros ao longo da sua execução, aliás explicou que foi por causa da criação de emprego que decidiram pela colocação de calçada de pedra que, ao seu ver, vai ser feito “tão bem” como o asfalto e tem “tanto valor ou mais do que asfalto”.

Por outro lado, Ulisses Correia e Silva avançou que além do trabalho a ser criado com a construção dessa via ainda vão ser criados trabalho com a sua manutenção, pelo menos ao longo de quatro anos, com “financiamento garantido”.

“Então temos todas as condições para optarmos, de facto por aquilo que temos no país [pedras], que vai criar mais emprego e que nos dá as mesmas condições de uma estrada com qualidade para circulamos”, vincou.

Na ocasião, o governante reiterou o compromisso do Governo de desencravar outras localidades da ilha de Santiago, Santo Antão, Fogo e São Nicolau, sobretudo nas ilhas montanhosas com potencialidades agrícolas, pecuárias e de pesca.

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