Embora este ano a campanha de protecção das tartarugas, nas praias de nidificação tenha iniciado sem o apoio das Forças Armadas (FA), devido à pandemia provocada pela covid-19, aguarda-se o “djunta mo” (a parceria) dos militares assim que a situação o permitir.

Com a ausência, também, de voluntários internacionais, o Projecto Biodiversidade recrutou uma equipa “totalmente” local para auxiliar o programa de protecção das tartarugas marinhas, no patrulhamento das principais praias de desova na ilha, durante a temporada, com o apoio da Delegação do Ministério de Agricultura e Ambiente, da Câmara Municipal do Sal e dos voluntários locais.

Segundo Shannon Sutherland, uma das representantes do projecto, Cabo Verde ainda luta contra a caça ilegal destes animais em risco de extinção, exibindo um registo “alarmante” do número de tartarugas marinhas apanhadas nesta temporada.

Até este momento, disse, já foram registados mais de oito mil ninhos, tendo isso também resultado na captura e matança de 150 animais.

Considerando tratar-se de uma temporada “record”, comparado com a de há dois anos, Shannon Sutherland prevê um registo de vinte mil ninhos, este ano, contra os 15 mil de 2018.

Não obstante o cenário, a responsável considera que esforços vão sendo feitos para pôr cobro à situação, e que a nova lei para a protecção da espécie, está sendo posta em prática, a funcionar.

Assim como as tartarugas marinhas, as aves marinhas, os mamíferos marinhos, nomeadamente golfinhos e baleias, e algumas espécies de tubarão, também estão protegidas pelas leis nacionais e por tratados internacionais ratificados por Cabo Verde.

Entretanto, lê-se num documento a que Inforpress teve acesso, que além das tartarugas marinhas, outras espécies marinhas protegidas por lei são capturadas para consumo, em Cabo Verde, incluindo diferentes espécies de aves como rabo-de-junco, a cagarra, bem como mamíferos marinhos como a baleia-piloto.

Atendendo que a venda, compra ou consumo de carne de tartaruga é contra a lei, o Projecto Biodiversidade desafia a cada cidadão a colaborar, recusando a sua participação em qualquer forma de consumo ilegal, partilhar a mensagem com a família, amigos e comunidade, e reportar quaisquer incidentes, ligando para o 132, anonimamente, se assim preferir.

Shannon Sutherland concluiu, reforçando que a acção directa e a sensibilização da população poderão provocar uma força “poderosa” para uma mudança positiva de comportamento, nessa matéria.

SC/HF

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