Não obstante encararem que a estrutura de saúde local não tem condições a nível físico nem técnico para dar resposta à demanda, e com a “degradação” das condições de vida na ilha, conforme alguns dizem, “facto é que a ilha vem registando muitos problemas” com pessoas a viverem na rua.

Em Santa Maria, segundo conta Nilsa Monteiro, os doentes mentais passam a vida na Pedonal, nus ou seminus, com os órgãos genitais à mostra, a masturbar-se, a defecar na via pública, a perseguir os turistas.

Nos Espargos, também pasmos com o problema, tanto pessoas individuais, como comerciantes de lojas, bares e restaurantes, apontam um caso “grave” de uma senhora que tira a roupa na praça pública 19 de Setembro, ficando nua nesta zona do centro da cidade bastante frequentada.

Além desta senhora, lamentam, ainda, a permanência de outros doentes mentais que defecam e urinam nas próprias roupas, vendo-se carregados de moscas, dormem na Rua Toy Pedro e na praça, situação, igualmente, presenciada por residentes, turistas e visitantes.

“Isto é horrível. É horrível para a dignidade das pessoas que têm direito à dignidade e à sua saúde, é também horrível porque somos uma ilha turista e temos que dar conforto e segurança às pessoas que nos visitam”, exteriorizam uns e outros.

“É uma situação muito grave que a ilha do Sal tem de procurar e encontrar respostas. A Câmara Municipal, no âmbito das suas competências, mas o Ministério da Saúde, também. A ilha não tem um psiquiatra, a família não toma conta (…)”, completou Nuno Almeida.

Confrontado com o panorama, o delegado da Saúde local, José Rui Ramos, admite a existência desse problema, explicando que pouco ou nada poder-se-á fazer se a família não ajudar e as instituições sociais não apoiarem.

“O problema é estrutural. É uma preocupação nossa. Nós não temos onde albergar essas pessoas que sofrem de doença mental. Já reunimos com as instituições na ilha, a polícia, a câmara, o tribunal (…) para ver o que juntos podemos fazer no sentido de reverter a situação”, aclarou.

“Ás vezes apanhamo-los, compulsivamente, para irem tomar banho na Protecção Civil, serem medicados no hospital, mas dois dias depois estão na rua novamente, porque não temos onde colocá-los para melhores cuidados”, conta em tom de lamento.

Desassossegado com a situação de demência na ilha, embora considere que os casos não são novos, o responsável assegurou que está-se a estudar “todas as formas possíveis” para solucionar o problema, já que se aboliu o sistema de psiquiatria, por isso projecto fora de cogitação.

“Daí que, estruturas de apoio social e as respectivas famílias deverão apoiar e tomar conta dessas pessoas. Nós damos remédio de graça. Se a família não ajudar (…) fica-nos difícil”, concluiu o médico.

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