A informação foi avançada à Inforpress durante uma investigação que esta agência de notícias desencadeou, na sequência de uma denúncia feita por um grupo de moradores da Terra Boa.

Os denunciantes, que pediram anonimato, afirmam que há associações “servindo de ponte” entre as crianças e os turistas e falam, inclusive, de casos em que pais “oferecem” seus próprios filhos em troca de “dinheiro e outras coisas”.

Além disso, revelaram à Inforpress que este “esquema” que vem de há “alguns anos”, envolve também guias turísticos que recebem “dinheiro ou doações” para levarem turistas às associações que lidam com crianças vulneráveis nas zonas das barracas para se encontrarem com os menores.

“Os pais preferem impedir que seus filhos vão para escola porque ficar em casa à espera de turistas é mais rentável. Há, inclusive, instituições estrangeiras que fazem publicidade no exterior de «apadrinhamento» pessoal de crianças na Terra Boa”, ajuntou um dos denunciantes.

Entretanto, a Inforpress apurou que todas estas denúncias já deram entrada no Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), que, por sua vez, já reencaminhou o caso ao Ministério Público para investigação, conforme confirmou a presidente do ICCA, Maria José Alfama.

“Temos monitorizado as ações das associações em Terra Boa e efetuado as diligências que nos compete. As associações conhecem as regras no que diz respeito à preservação das crianças em relação aos turistas e as Associações de Taxistas, Guias e outros têm sido convidados para ações de sensibilização sobre a problemática de abuso e exploração sexual”, referiu a responsável.

Maria José Alfama acrescenta, ainda, que todos os serviços sediados na ilha do Sal têm também participado em várias ações e estão “alertas” em relação a esta situação.

GSF/FP