A informação resulta de dados compilados hoje pela Lusa com base na programação de 15 a 31 de agosto - as primeiras duas semanas de operação -, divulgada pela nova empresa CV Interilhas e que inclui, inicialmente, o recurso a quatro navios.

A nova sociedade que vai gerir a concessão do serviço público, por 20 anos, conforme concurso público lançado no final de 2018 pelo Governo é liderada pela portuguesa Transinsular, que detém uma quota de 51%. Os restantes 49% são detidos por armadores cabo-verdianos, que também fornecem navios para garantir as ligações.

De acordo com a programação, a que a Lusa teve acesso, o navio “Inter Ilhas”, do armador Polaris, vai garantir, nas primeiras duas semanas de operação do novo modelo, 96 viagens, exclusivamente entres as ilhas de Santo Antão e São Vicente.

O navio “Liberdadi”, do armador CV Fast Ferry, vai realizar 51 viagens, assegurando ligações entre as ilhas de Santiago e Boa Vista; Boa Vista e Sal; Sal e São Vicente; São Vicente e São Nicolau; e Sal e São Nicolau.

Já o navio “Kriola”, também da CV Fast Ferry, vai garantir 44 viagens ligando as ilhas de Santiago (Praia) e Fogo; Fogo e Brava; Santiago e Maio; e Santiago e São Nicolau, enquanto o “Praia D’Aguada”, igualmente da CV Fast Ferry, assegurará, segundo o primeiro calendário disponível, um total de 26 viagens até final de agosto, entre as ilhas de Santiago e Maio; Santiago e São Vicente; Brava e Fogo; e Fogo e Santiago.

Em fevereiro último, após a cerimónia de assinatura do contrato de concessão, na cidade da Praia, o presidente do conselho de administração da portuguesa Transinsular afirmou que o transporte marítimo em Cabo Verde vai contar com cinco navios, menos 15 que o modelo anterior (embora os armadores possam manter ligações fora da concessão), prevendo a concessionária um investimento inicial de meio milhão de euros.

Segundo Luís Figueiredo, a CV Interilhas Transportes Marítimos SA vai ter “todas as capacidades e potenciais de crescimento”.

“O capital social vai partir com meio milhão de euros, é um avanço inicial para a constituição da sociedade e dotação de fundos. Depois vamos adaptando. Não queremos fazer nem investimentos disparatados nem desnecessários”, afirmou.

Luís Figueiredo afirmou que cinco navios serão suficientes para assegurar as ligações e que os seis meses de que dispõe para o projeto estar em andamento são suficientes.

Contudo, ressalvou que se forem necessárias mais embarcações, poderão ser acrescentadas.

A oposição cabo-verdiana tem vindo a criticar esta solução, considerando que retira o serviço aos armadores nacionais. Já o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, afirmou que este modelo “vai mudar Cabo Verde”.

“O que estamos a concretizar aqui é um processo de reforma, não é uma mera gestão de continuidade”, disse anteriormente o governante.

A nova concessão permitirá, na opinião do chefe do Governo, “disponibilizar ao país ligações marítimos interilhas em condições de regularidade, previsibilidade, qualidade e segurança”.

“Permitir às pessoas, aos empresários, aos produtores programarem as suas viagens, as suas produções, porque sabem que quando tiverem de viajar e escoar os seus produtos sabem em que dia o podem fazer”, disse Ulisses Correia e Silva.

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