Os agricultores em Lagoa da Ribeira das Patas têm estado, nesses anos, a pedir a recuperação dessa ribeira, onde a actividade agrícola quase desapareceu, na sequência da exploração desenfreada de inertes nessa zona, que se transformou num dos mais sérios problemas ambientais no concelhio do Porto Novo.

O representante dos agricultores, João Lima, lembra que os lavradores esperam, há oito anos, pelas intervenções na Ribeira de Carpinteiro, ou seja, pela recuperação das nascentes e parcelas agrícolas, que foram desfruídas, além de obras a nível de correcção torrencial.

Este responsável alertou que as captações de água quase secaram nesses anos, adiantando que, oito anos depois, os agricultores continuam à espera das obras nessa zona devastada, entre 2010 e 2011, com a extracção de pedras utilizadas nas obras de ampliação do porto do Porto Novo.

A Associação para o Desenvolvimento Integrado da Ribeira das Patas tem estado a alertar que as “grandes quantidades” de pedras extraídas em Ribeira de Carpinteiro acabaram por provocar “danos ambientais gravíssimos” à essa zonza agrícola, com “perdas avultadas” para os agricultores.

A Câmara Municipal do Porto Novo chegou, em 2012, a intentar uma acção judicial contra o consórcio que executou as obras no porto, exigindo uma indemnização de 60 mil contos, mas acabou por perder o processo, já que as empresas tinham autorização do Governo para proceder à extracção de pedras em Carpinteiro.

Porém, o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) no Porto Novo, Joel Barros, garante que as obras na zona de Carpinteiro estão previstas no âmbito do projecto de reordenamento da bacia hidrográfica da Ribeira das Patas, cujo início se prevê para 2020, incidindo, numa primeira fase, na sub-bacia de Lagoa/Catano.

A correcção torrencial, a prospecção de água subterrânea, com a execução de um furo e seu equipamento com sistema fotovoltaico, além de conversão dos terrenos de sequeiro em parcelas irrigadas e a instalação de sistema de rega gota-a-gota são os investimentos previstos para Lagoa e Catano, no quadro do projecto de reordenamento da bacia hidrográfica da Ribeira das Patas.

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