Eliseu de Pina fez essa leitura em declarações à Inforpress, quando convidado a falar sobre o trabalho infantil e as suas consequências, no âmbito do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, que se assinala hoje, tendo em relevância alguns dados do INE.

“A pobreza impossibilita uma vida de qualidade, com educação, alimentação, saúde e saneamento básico, o que causa muito desconforto. Quando as crianças nascem em um ambiente assim, suas chances de completar os estudos e entrar no mercado de trabalho se reduzem drasticamente, pois muito cedo acabam ajudando a família, seja trabalhando ou fazendo os serviços domésticos”, disse.

A lei, de acordo com o sociólogo é clara, proíbe que qualquer criança ou adolescente até os 16 anos trabalhe, mas em alguns casos encontram-se jovens na labuta com os pais no sector da agricultura, pesca e até em carpintaria.

Os dados apresentados em 2017 pelo INE apontavam que cerca de 92% de crianças na zona rural trabalhavam comparado com os dados actuais, número que segundo o sociólogo diminuiu, mas ainda é preocupante.

O trabalho infantil, acrescenta, faz com que a criança se afaste da escola, não brinque com os colegas e afecta o desenvolvimento físico, psicológico e intelectual.

O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho em 2002 e visa alertar a população para o facto de muitas crianças serem obrigadas a trabalhar diariamente quando deveriam estar na escola a aprender e a construir um futuro melhor para si e para as suas famílias.

A efeméride tem com o propósito promover o direito de todas as crianças serem protegidas da exploração infantil e doutras violações dos seus direitos humanos fundamentais, assim como a combater todos os tipos de trabalho infantil.

A UNICEF estima que existem 168 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil, trabalhando muitas delas (85 milhões) em condições de exploração infantil, com perigos graves à saúde e sendo envolvidas em conflitos armados.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mais de 20 em cada 100 crianças entram no mercado de trabalho por volta dos 15 anos de idade nos países pobres.

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