A história deste menino, que foi deixado pela mãe desde tenra idade, assim como o irmão, com o pai que passa a maior parte do tempo na rua, pois, é lavador de carro, é mais um retrato de uma família cabo-verdiana que passa despercebida pelas autoridades nacionais.

Em conversa com Inforpress, no âmbito da celebração do Dia Intencional contra o Trabalho Infantil, que se assinala hoje dia 12 de Junho, este ano sobre o lema “Criança não deve trabalhar, infância é para sonhar”, Nando conta o seu dia-a-dia e afirma que sonhar não é um direito para ele.

“A minha mãe deixou-me e o meu irmão bem pequenos. E como o meu pai vai lavar carros, às vezes traz comida e outras não. Ficamos aqui na vizinhança a ajudar para que nos dêem de comer”, contou.

No trabalho que costuma fazer aos vizinhos, Nando apontou o de ir buscar água nos baiões de cinco litros, fazer compras na loja e até lavar chão.

Justifica ainda que se não fosse isso, ele e o irmão passavam fome muitas das vezes.

“Quando não temos o que comer, vou à casa da vizinha com um prato pedir comida ou pão para comermos, pois, o meu pai às vezes chega à casa depois das 10 da noite”.

Com esta prática, Nando Lopes, mesmo a frequentar o Ensino Básico, diz passar mais tempo na rua do que em casa ou na escola.

O pai, segundo relatou, é presente, mais não pode fazer mais porque não trabalha. Lavar carro, de acordo com o menino, nem sempre dá.

Na rua onde mora é conhecido como o menino “homem”, pois o seu jeito é rebelde e já o facto de passar a maior parte do tempo na rua e a mando dos outros, lhe tem afastado da escola, do convívio familiar, sendo que na maioria das vezes a consequência desta forma de viver pode torná-lo numa criança vulnerável e candidato a muitos problemas.

Mas apesar de toda os dissabores que a vida já lhe presenteou, Nando Lopes ainda dá o seu sorriso de criança que não sabe o que o futuro lhe reserva e nem sabe que aquilo o que faz é considerado de “trabalho infantil”.

Neste caso, é bom dizer as leis existem, as fiscalizações não funcionam e as instituições só trabalham dentro das quatro paredes, sem saírem à rua à procura de crianças e famílias como as do Nando.

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