Mário Lúcio é um dos nomes presentes nesta 13ª edição do Festival de Músicas do Mundo (FMM), que teve início na cidade de Sines, Portugal, no passado fim-de-semana, 22 a 24 (sexta a domingo) e que continua de 27 a 30 (quarta a sábado). Depois de uma passagem por este festival, em 2003, com o grupo Simentera, este será o primeiro concerto do músico cabo-verdiano, fora do país, depois de ter sido nomeado Ministro da Cultura de Cabo Verde.

Com a entrada de Mário Lúcio na política (que não é uma estreia, pois já havia sido eleito deputado na I Legislatura) e tendo assumido a pasta da Cultura, embora como independente, há quem faça cada vez mais comparações com o anterior ministro da Cultura do Brasil e músico de referência mundial, Gilberto Gil.

As ideias - quer musicais, quer quanto a uma filosofia de vida - são muito próximas entre as duas figuras, para além da amizade que os une. E os cabo-verdianos começam-se já a habituar a ver Mário Lúcio deixar o gabinete do Palácio do Governo para pegar na viola e subir aos palcos, à semelhança do grande Gil, quer nas ilhas, quer pelo mundo fora.

No espectáculo no FMM, em Sines, Mário Lúcio abrirá o último dia da festa, a 30 de Julho, que conta nomes de vários cantos do mundo. O Festival vem-se destacando como palco privilegiado de artistas internacionais fora do chamado "mainstream" musical.

De acordo com a organização, "o FMM foi criado em 1999 com o objectivo de valorizar o Castelo de Sines, berço de Vasco da Gama, através de um acontecimento que mostrasse a diversidade das expressões musicais do mundo, evocando a revolução nos contactos inter-culturais a que as viagens do navegador abriram caminho. Hoje, o festival ultrapassa fisicamente as fronteiras do Castelo e o seu programa transcende os limites de qualquer legitimação histórica. Dar a descobrir é a sua filosofia.

FMM foi criado com a convicção de que a música é muito maior, muito mais cheia de cores e matizes do que a indústria do “mainstream” faz supor. Com todas as ambiguidades do termo, o FMM pode ser enquadrado na área da “world music”. Da tradição ao jazz, da folk aos blues, do tango ao reggae, da clássica à fusão, é sobretudo um festival de música sem fronteiras de género.

Mário Lúcio Sousa nasceu no Tarrafal, Ilha de Santiago, a 21 de Outubro de 1964, é licenciado em Direito pela Universidade de Havana, Cuba, e no mundo da arte tem experimentado as mais diversas correntes no domínio da música, literatura, e teatro.

Na música, foi fundador e líder do grupo musical Simentera, Compositor, multi-instrumentista e estudioso da música tradicional e já gravou com Manu Dibango, Paulinho Da Viola, Gilberto Gil, Luís Represas, Milton Nascimento, Pablo Milanês, Pedro Jóia, Teresa Salgueiro entre outros.

Entrevista a Mário Lúcio

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