No Dia de África, que se celebra hoje, a Inforpress foi conhecer a história desse costureiro e empresário senegalês que veio a Cabo Verde a convite do tio, em 2007, e que contrariamente a muitos imigrantes da costa de África que fugiram de conflitos, ele veio em busca de uma vida melhor.

Hoje, aos 33 anos, Malick, que tem uma alfaiataria, um mini-mercado e um restaurante de pratos típicos do Senegal, cuja empresa chama-se “Malick Naru”, Naru nome da sua mãe, tem nacionalidade cabo-verdiana e diz-se “estável” em Cabo Verde.

Apesar de ele e seus dois filhos terem a nacionalidade cabo-verdiana, e a mulher a aguardar documentação, assim como outros imigrantes abordados pela Inforpress, Malick apontou a obtenção da documentação de residência, como “maior dificuldade” dos imigrantes da costa ocidental africana.

Conforme explicou, para se ter a nacionalidade cabo-verdiana as autoridades exigem primeiro a residência, mas, no entanto, segundo ele, há muita burocracia para a sua obtenção.

“Assim como fui ajudado pelo meu tio, quero ajudar meus familiares que se encontram no Senegal, mas as autoridades cabo-verdianas não têm facilitado em nada. Eu não entendo porque que um cabo-verdiano vai ao Senegal, apenas com um bilhete e um senegalês é sempre barrado nos aeroportos, mesmo reunindo todas as condições e muitas vezes enviados de volta para o país de origem”, exteriorizou.

A este propósito, o entrevistado da Inforpress informou que, de momento, tem um cunhado que se encontra no Aeroporto da Praia e que vai regressar para Senegal porque não lhe foi concedida a entrada em Cabo Verde.

O jovem empreendedor, que abriu a sua “alfaiataria” em 2009, tem conquistado a clientela com tecidos africanos, aliás, é um dos costureiros mais procurados em Santa Catarina para fazer roupas de casamentos, crismas e finalistas e entre outros.

Por ter uma vida “estável” em Cabo Verde, pagando os seus impostos “na hora”, Malick Fall mostrou-se empenhado em ajudar os familiares que se encontram em Senegal, tendo criticado as autoridades por não facilitar, em nada, a entrada de seus conterrâneos, segundo ele, “mesmo cumprindo todos os requisitos exigidos”.

Se tal acontecer, o jovem empresário garantiu que os familiares não vão ficar na rua, ou seja, ajuntou que, vão trabalhar com ele nas suas empresas, que de momento empregam seis pessoas, sendo quatro na alfaiataria e dois no supermercado e restaurante, todos do Senegal.

Contrariamente, a outros imigrantes da costa de África, Malick Fall afirmou que não sofreu “preconceito”, isto porque, trabalhou na costura e não em venda ambulante.

Assim como Malick Fall, em Santa Catarina a maioria dos imigrantes da África Ocidental vive há vários anos nesse município do interior de Santiago e muitos já constituíram família, mas entretanto, não tiveram a mesma sorte e sonham pelo dia que vão ter a nacionalidade cabo-verdiana.

A maioria vive do comércio informal e são poucos os que conseguiram trabalhar noutras áreas.

Entretanto, os imigrantes que estão no ramo alimentício têm feito sucesso com a gastronomia dos respectivos países, que aliás, conforme constatou a Inforpress, caiu no “gosto” dos santa-catarinense quer pelo sabor e pelo preço.

E que um prato de “tchép bou dien”, caldo mangara, palha batata e entre outros são vendidos a 150 escudos, e muito procurado pelos trabalhadores de todos os ramos e estudantes.

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