A informação foi avançada à Inforpress pela representante da “TAOLA”, Berta Ranom, para quem o início da temporada de desova de tartarugas trouxe novas esperanças, oportunidades e reptos e, sustentou, já há registo de vários ninhos e rastos de tartaruga nas várias ilhas do arquipélago.

O maior desafio, segundo a mesma fonte, continua a ser a sensibilização e mudança de comportamentos das pessoas sobre a apanha, abatimento, desembarco e consumo da carne de tartaruga.

Conforme adiantou, esta lei já existia em Cabo Verde desde 1987 e foi revista no decreto-lei 53/2005, mas a mais recente que foi promulgada pelo Presidente da República, no dia 21 de maio, contempla várias novas especificações das proibições destacando a extensão das condutas da proibição a quaisquer partes da tartaruga, incluindo os seus ovos e produtos derivados, bem como algumas proibições relativas à perturbação do processo de desova ou do seu habitat.

Berta Renom considerou que as tartarugas marinhas são animais “emblemáticos” e “símbolo” de Cabo Verde, razão pela qual elaboraram esta campanha de sensibilização “Nha Terra” que contempla um conjunto de ações de sensibilização, abarcando vários públicos e seguimentos da população, com vista a incutir nas pessoas um sentido de responsabilidade sobre a necessidade de preservar o “património” natural e cultural de Cabo Verde.

“Desde o lançamento da campanha em 2011, em algumas ilhas, ‘Nha Terra’ tem atingido uma ampla audiência em todo o país, trabalhando de perto com as autoridades, criando uma rede de restaurantes amigos das tartarugas e com um extenso plano de atividades e meios de comunicação para passar a sua mensagem para o público em geral”, frisou.

De todo modo, aquela representante disse que o número de mortes de tartarugas marinhas registados nos últimos anos ainda “é preocupante”, o que demonstra a necessidade desta campanha de sensibilização. Lançaram também uma mensagem de reflexão “Qual é o futuro que queremos”, alertando também para o papel que cada um tem para o seu próprio futuro e para o futuro das próximas gerações.

A mesma fonte avançou ainda que, para além das actividades de sensibilização que vão ser realizadas nos próximos meses em todas as ilhas de Cabo Verde, vão ser organizados também ateliês junto das autoridades para a divulgação da nova legislação e boa coordenação entre instituições. As mesmas acções vão ser divulgadas nos média com várias informações relevantes acerca das tartarugas marinhas e sua importância para Cabo Verde.

“O que se procura com esta mensagem é que as pessoas parem por alguns minutos para analisar como é o Cabo Verde que imaginam para eles, para os seus filhos e para a sua família. Em extensão, se esse é um futuro saudável, e se tem um lugar para as tartarugas marinhas coexistirem”, concluiu.

A TAOLA foi criada em 2009 e é composta pelas organizações sem fins lucrativos, institutos de investigação científica, Universidade de Cabo Verde e organismos governamentais nacionais responsáveis pela protecção das tartarugas marinhas, entre outros.