Esta preocupação foi manifestada pelo emigrante maiense Reily Oliveira, que neste momento encontra-se a residir e a trabalhar nos Países Baixos e conforme afiançou, tem vindo a acompanhar e ajudar vários dos seus conterrâneos neste processo.

No entanto, diz que tem havido dificuldades no que tange ao cumprimento do prazo, que normalmente não deve ultrapassar um mês, mas que as autoridades nacionais não têm sabido dar resposta.

Segundo aquele emigrante, já se justificava neste momento a digitalização e informatização no processamento da prova de vida que é enviada para as instituições holandesas, por forma a conferir mais rapidez e ao mesmo tempo facilitar a vida dos pensionistas, a maioria pessoas com certa idade e alguns com dificuldades de mobilidade.

“Assistimos recentemente com a chegada da pandemia, e com introdução de estado de emergência, um grande problema no envio de prova de vida dos emigrantes, tendo em vista que tudo é feito via Correios de Cabo Verde, que, por sua vez, faz o envio via aéreo e que neste momento praticamente não funciona”, salientou.

Reily Oliveira sugeriu ainda que este serviço em Cabo Verde, deveria ser feito pelo Registo Notarial e de Identificação existente em todos os municípios e ilhas, em concertação com o INPS, num tempo recorde, dando assim resposta as exigências que são solicitadas pelas instituições holandesas.

Lembrou, a este propósito que neste molde, as provas de vida que têm um prazo no máximo de ser entregue de um mês chegam sempre depois dos três ou mais meses depois.

“As entidades holandesas são benevolentes, porque enviam a carta de pedido de prova de vida com uma certa antecedência, porque sabem desta realidade, mas fazem-na até três vezes e, caso a pessoa não reagir, elas cortam a pensão.

Segundo este emigrante maiense, esta situação já aconteceu com uma pessoa que, após não ter recebido a sua pensão, veio a reclamar e foi-lhe informado que a carta foi enviada, mas voltou para Holanda, porque não identificaram a pessoa em causa.

Um outro aspecto que aquele emigrante enfatizou, tem que ver com a quantia monetária que os pensionistas pagam para receber os seus dinheiros em Cabo Verde, explicou realçando que muitos possuem uma conta bancária numa das agências holandesas, que antes tinha parceria com Cabo Verde, mas que acabaram por rescindir, por são-lhes descontados uma certa quantia para se fazer a transferência dos seus valores.

Conforme adiantou Reily Oliveira, as entidades que fazem pagamento da reforma dos pensionistas enviam-na para as suas contas bancárias na Holanda e as agências, por sua vez, fazem a transferência para Cabo Verde via uma outra agência francesa que tem parceria com a de Cabo Verde, mas para tal elas cobram uma taxa e o pensionista ao receber o seu dinheiro ainda lhe é taxado uma certa quantia pelas agencias no arquipélago.

“Os pensionistas veem somente a quantia que entrou na conta em Cabo Verde e o montante que a agência descontou pelo serviço e não sabe quanto na verdade foi-lhe retirado durante todo este processo”, lamentou.

“Se formos fazer as contas, anualmente isso dá um valor bem significativo”, enfatizou, explicando que existem reformados com uma pensão baixa e com esses descontos, fica-lhes ainda mais reduzida.

Conforme apurou a Inforpress, com a privatização deste sector, as agências nacionais procuraram novas suas parceiras e, no caso da Holanda, por exemplo, o Banco Comercial de Atlântico rubricou parceria com a congénere INGbank, em vez da ABN, que é agência de muitos emigrantes cabo-verdianos da primeira e segunda gerações, por isso faz descontos na transferência de qualquer montante acima do normal.

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