“A COP25 falhou-nos a nós e a mais sete milhões de grevistas”, afirmou em conferência de imprensa a ativista espanhola Maria Olivella antes do início do protesto, em que cerca de duas centenas de ativistas do movimento Fridays for Future, organizações femininistas, povos indígenas e outras causas se sentaram no chão do pavilhão 04, enquanto dois pavilhões ao lado decorria um plenário das delegações internacionais.

No último dia da 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, Maria Olivella criticou o facto de serem empresas como as espanholas Iberdrola, Endesa e Acciona, “responsáveis por 25 por cento das emissões em Espanha” a patrocinar a conferência, questionando se “é a COP25 que precisa do dinheiro ou são as empresas que precisam de ‘lavar as mãos'”.

Durante cerca de uma hora, música, palavras de ordem por “justiça climática” e pelo pagamento de reparações aos países que já estão a ser afetados pelas alterações climáticas fizeram-se ouvir.

Esta ação estava autorizada pela organização da COP25, em sinal contrário ao que aconteceu na quarta-feira passada, em que um protesto destas organizações foi interrompido pela segurança do encontro e, segundo o Fridays for Future, várias acreditações de observador de membros de organizações não governamentais foram apreendidas.

A mexicana Xyie Bastida reiterou que o Fridays for Future quer acabar com todas as infraestruturas ligadas ao consumo de combustíveis fósseis e que todas as nações se comprometam a ser neutras nas emissões de gases com efeito de estufa “o mais cedo possível” e não só em 2050, como acontece com as metas definidas na União Europeia.

Antes do protesto Fridays for Future, ativistas dos Estados Unidos acusaram o seu governo de ser um dos obstáculos que impede metas mais ambiciosas para o combate às alterações climáticas, como a criação de um mecanismo que compense os países mais vulneráveis às alterações climáticas por perdas e danos sofridos.

Katherine Egland, da National Association for the Advancement of Colored People, disse aos jornalistas que, como um dos países mais poluidores, é “o cúmulo da hipocrisia” que a administração do Presidente Trump se oponha a resolver “um problema que ajudou a criar”.

Jacob Johns, representante do povo indígena norte-americano Hopi, apontou “o desligamento total” entre os constantes apelos à ação urgente vindos da comunidade científica e da sociedade civil e “o resultado das negociações” em Madrid.

“Temos tido reuniões bilaterais, mas quem foi a uma foi a todas. Os países apontam os dedos uns aos outros, mas só querem arranjar desculpas para si”, lamentou Katherine Egland.

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