A intenção foi manifestada hoje à imprensa pelo presidente do Instituto Cabo-verdiano para Igualdade e Equidade do Género (ICIEG), Rosana Almeida, e pela porta-voz da ONU-Mulheres, Cláudia Rodrigues, à margem de uma conversa aberta para comemorar o Dia Internacional da Mulher Rural, assinalado hoje sob o lema “Mulheres e meninas rurais construindo para a resiliência climática”.

Segundo Rosana Almeida a instituição que dirige tem preocupado com as mulheres que vivem no meio rural, tendo em conta que em Cabo Verde 38,7 por cento (%) da pobreza está no meio rural, 58% da família é chefiada por mulher, e desses 17% são afectadas pelo desemprego.

Nesse sentido, assegurou que o foco do ICIEG e dos parceiros tem que ser o mundo rural, para que possam garantir as condições, sobretudo para as mulheres que vivem da apanha da areia em alguns dos municípios do interior de Santiago, que alegam não terem outro modo de vida.

O ICIEG, conforme lembrou, tem trabalhado no sentido de dar-lhes o acesso à terra para que possam cultivar produtos a serem colocados nos hotéis a nível nacional e ainda projectos ligados à pesca em parceira com Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental.

Além de criar as condições em parceria com parceiros para as mulheres do mundo rural possam “driblar” a pobreza, a ICIEG, avançou a mesma fonte, quer que estas também participem em todas as decisões do país a vários níveis.

Por sua vez, a representante da ONU-Mulheres destacou o papel das mulheres rurais em relação ao meio ambiente e na construção do desenvolvimento, que a seu ver “é fundamental” e que Cabo Verde não é excepção.

É que, segundo ela, tendo em conta que as famílias são chefiadas pelas mulheres e com a questão das alterações climáticas que se vive, no seu entender, o papel das mulheres é fundamental.

Apesar da apanha de areia estar ligada às mulheres, Cláudia Rodrigues alertou que há um “sistema capitalista” por detrás, daí que pediu que também se leve em conta quem compra a areia.

Na ocasião, esta responsável da ONU-Mulheres lembrou Cabo Verde já tem boas experiências relativamente à reconversão da mão-de-obra das mulheres que viviam da apanha de areia para as Actividades Geradoras de Rendimento (AGR), tomando como exemplo o caso das mulheres de Goveia, no município de Ribeira Grande de Santiago.

Relativamente à “conversa aberta” sobre “género, empoderamento e desafios no mundo rural”, explicou que a mesma teve como objectivo encontrar novas formas para reforçar as competências dessas mulheres do mundo rural no combate às altercações climáticas, que aliás lembrou, vai ter um “impacto extremo” no mundo rural, quer nas zonas piscatórias e agrícolas.

O evento, realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), reuniu 50 mulheres rurais beneficiárias de projectos dessas instituições, que teve como palco Centro Cultural Norberto Tavares, em Assomada, Santa Catarina.

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