Sobre estes factos, não pode haver dúvidas: “As mulheres de África dão um contributo considerável à economia do continente. Elas são economicamente mais activas, como agricultoras e empreendedoras, do que as mulheres em outras regiões do mundo. São as mulheres que plantam a maior parte da comida de África, e são elas que possuem um terço de todos os negócios”. Além disso, em alguns países de África as mulheres correspondem a 70% da população empregada.

Quem o confirma é o Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD), através do relatório “Dar Poder às Mulheres Africanas: Uma Agenda para a Acção”, publicado em 2015. Mas há mais.

Elas também são “centrais para a economia familiar e para o bem-estar dos seus familiares”, além de “desempenharem um papel vital – algumas vezes de forma despercebida – na liderança das suas comunidades e nações”. Aliás, em 11 dos países africanos que o BAD analisou as mulheres ocupam um terço dos assentos parlamentares, mais do que a média na Europa.

Contudo, salienta o relatório, existem muitas barreiras que impedem as africanas de explorar ao máximo o seu potencial, seja enquanto líderes políticas ou comunitárias, na escola ou quando querem fazer crescer as empresas que lideram. Para piorar, apesar de as mulheres africanas trabalharem, em número de horas, 50% mais do que os homens, a diferença entre o que elas e eles recebem é abissal: os homens continuam a ganhar muito mais... apenas porque são do género masculino.

Empreendedoras e competentes, mas longe do topo

África está mesmo em destaque, graças às mulheres. Olhando para as diferentes partes do globo, a África Subsariana, por exemplo, regista a maior taxa de empreendedorismo feminino em todo o mundo, com 26% da população adulta feminina envolvida em actividades empreendedoras “embrionárias”, refere o relatório The Global Enterpreneurship Monitor, lançado em Setembro de 2017. O Senegal lidera a lista de países, com 36,8%.

Já agora, fique a saber que cerca de 62% das mulheres africanas empreendedoras respondeu, para o mesmo estudo, que começaram os seus negócios quando deram conta que havia uma oportunidade a explorar, não porque tinham necessidade de o fazer.

Todavia, e a crer nos dados de 2016 da empresa de consultoria McKinsey, 5% dos directores executivos no sector privado de África são mulheres. Muito pouco, tendo em conta as percentagens que se seguem: 36% das promoções são atribuídas às mulheres, além de que 44% das mulheres seniores ocupam cargos profissionais centrais.

Índex de igualdade. Quem tem feito mais?

Mas, afinal, quem são os países do continente com melhor desempenho ao nível da igualdade de género? No topo surge a África do Sul, seguido do Ruanda, Namíbia, Maurícias, Maláui, Lesoto, Botsuana e Zimbabué.

Cabo Verde surge na nona posição, com Madagáscar na sua cauda (fechando assim o top 10).

Moçambique regista o 16º melhor desempenho em termos de igualdade do género, enquanto Angola vem na 25ª posição. No fim da lista de 52 países africanos aparece a Somália.

A classificação, que surge no documento do BAD em forma de índex, tem em conta seis questões importantes: 1) As mulheres e os homens têm iguais oportunidades no mundo dos negócios e no emprego? 2) As raparigas e os rapazes têm iguais oportunidades na escola? 3) As mulheres têm acesso a cuidados de saúde na área da obstetrícia? 4) Os dois géneros estão igualmente representados nas instituições existentes? 5) Ambos têm os mesmos direitos perante a lei? 6) E têm os mesmos direitos a nível familiar?

Eis, portanto, seis perguntas que foram feitas para cada país, o que conduziu a um sistema de pontuação para três áreas centrais (a partir das quais se fez o índex geral). E quais os países que fazem boa figuram em cada uma?

Índex de igualdade para as oportunidades económicas. O Maláui surge bem classificado neste índex, seguindo-se, um pouco mais em baixo, a Gâmbia e a República Centro-Africana.

Índex de igualdade para o desenvolvimento humano. O destaque em África, pela positiva, vai para as Maurícias, com Tunísia e a África do Sul no seu encalce.

Cabo Verde, neste campo, surge na 8ª posição.

Índex de igualdade face à lei e às instituições. Maurícias (outra vez), Ruanda e África do Sul são as que registam maior pontuação.

No entanto, Angola surge logo na 5ª posição, com Moçambique também dentro do top 10, no 8º lugar.