Queila Soares lançou este apelo ao reagir à notícia veiculada pela Inforpress sobre menores envolvidos em alegados “esquemas de turismo sexual” em que o Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) teria encaminhado para o Ministério Público três denúncias de menores da localidade de Terra Boa, na ilha do Sal, envolvidos nesses alegados “esquemas”.

“Em relação à questão do turismo e os projetos sociais de Terra Boa, o ICCA tem trabalhado muito na monitorização e fiscalização destas associações e projetos, não só em Terra Boa, mas também de outros sítios”, lançou a responsável, uma forma de prevenção, ajuntou, pelo que a organização criou instrumentos de trabalho para que todos possam partilhar sobre a postura do turista ou qualquer outro visitante a estas associações.

“As crianças não devem ser foco de atração turística. Como forma de prevenção,  apelamos às agências e aos guias turísticos  a não verem a pobreza, as crianças dessas famílias como foco de atração turística”, reiterou, em tom de lamento.

Com base na notícia, a responsável diz não confirmar as denúncias de crianças envolvidas em “esquemas” de turismo sexual, porém confirma “delações de situação de abuso e exploração sexual” contra crianças e adolescentes.

“Foram denúncias feitas por pessoas ativas e residentes na comunidade de Terra Boa, neste caso, e cumprindo o nosso papel encaminhamo-las às autoridades competentes com todas as informações que permitem uma investigação, a qual está já em curso, conforme informações de que disponho”, informou.

Queila Soares esclarece, entretanto, que os possíveis agressores envolvidos nas denúncias “não são turistas visitantes”, mas “estrangeiros residentes, a viver e com atividades económicas há vários anos na ilha do Sal.

“Pessoas que, segundo informações, apoiam, de certa forma, a comunidade da Terra Boa nos projetos que acompanham, crianças e famílias. Agora, conforme a notícia, em que há envolvimento de associações no esquema (…) isso também não confirmo porque não tenho conhecimento dessa realidade”, disse, referindo que as crianças, possivelmente vítimas dessa situação de abuso e exploração sexual, são crianças que frequentam uma das associações daquela comunidade.

“Neste momento temos vários projetos  e associações que atuam nesta comunidade na área da  infância e das famílias, entre outros, com toda a comunidade, daí a maioria das crianças poderem estar a frequentar uma ou outra dessas associações com estes projetos sociais”, observou, mostrando que qualquer denúncia que chegue ao ICCA a obrigação é encaminhá-la para investigação.

Se se chegar à esta conclusão, Queila Soares disse entender tratar-se de uma “situação grave”, já que, conforme disse, põe em causa “todo o nosso turismo, muitos projetos sociais importantes” que apoiam as comunidades e as crianças, todo o trabalho que se tem feito junto das comunidades no sentido de trabalhar na prevenção a essas situações de violação sexual, bem como a imagem da ilha e do país.

“Realmente, se for verdade, é grave. E quem fez a denúncia deverá ter provas e forma de fazer chegar às autoridades competentes para investigação”, observou.

Queila Soares, afiançou, entretanto, que para fazer face a essas situações o ICCA tem “trabalhado muito” a nível da prevenção junto das comunidades.

“Portanto, são projetos que temos levado a cabo juntamente com a sociedade civil, que tem tido um papel muito ativo no combate a situações de abuso e exploração sexual, também organizações do Estado (…)”, exteriorizou, destacando a ação da Rede de Proteção e Combate ao Abuso e Exploração Sexual e o lançamento, agora em outubro, da campanha “Basta de violência contra criança e adolescente”, com trabalho feito em vários pontos da ilha.