Esta informação foi avançada à Inforpress pelo director deste estabelecimento hospitalar, Evandro Monteiro, durante a cerimónia de entrega de um lote de equipamentos de oftalmologia avaliado em dois milhões de escudos e doados pela empresa Moagem de Cabo Verde (Moave), através da Fundação Casa das Bandeiras.

“É um número importante”, disse o director do hospital, indicando que as cirurgias de catarata têm o seu custo e, a título de exemplo, explicou que cada lente intra-ocular custa entre 15 a 20 euros (cerca de 2200 escudos) e que “não são materiais fáceis de se encontrar” no mercado nacional, além de outros materiais e consumíveis utilizados nas cirurgias, destacando que juntamente com os equipamentos foram doados materiais que permitem realizar entre 50 a 60 cirurgias, mais que a meta é fazer “muitas mais”.

“Não queremos e nem pretendemos que estes custos sejam suportados pelos pacientes e é nesta lógica que estamos a buscar parceiros para conseguir os recursos e resolver a problemática da saúde ocular nas ilhas do Fogo e da Brava”, declarou.

Evandro Monteiro afirmou que apesar do “muito bom trabalho realizado” ainda há lista de espera para pacientes de oftalmologia, indicando que o enfoque é para a lista de espera dos pacientes com catarata.

Anteriormente fazia-se trabalhos “pontuais e sem continuidade”, mas a problemática de saúde ocular existia, disse o director do hospital, observando que não havia estudos para determinar o que é que havia ou não e que pontualmente fazia-se tratamento cirúrgico e estudos com especialista que vinham para a região.

“Há três ou quatro anos foi colocado um especialista na área de oftalmologia, mas não tinha condições de trabalho e basicamente fazia o diagnostico”, disse, adiantando que há sensivelmente dois anos começou-se a fazer “investimento real” no serviço de oftalmologia e com estudos associados.

Os equipamentos e materiais de serviço de oftalmologia, como oftalmoscópio, biómetro, tonómetro e os acessórios necessários para que o serviço funcione em condições vão ser instalados dentro de duas semanas pela empresa fornecedora, porque, segundo o director, há uma garantia que não é apenas trazer os equipamentos, mas fazê-los funcionar para que o hospital possa dar “uso adequado” e levar os serviços à comunidade.

Como o espaço onde funciona o serviço de oftalmologia é exíguo, é necessário, admitiu o director, fazer alguma intervenção para ampliar e readaptar o espaço, porque são muitos materiais e o hospital já dispunha de outros equipamentos, para ter um serviço “muito moderno”.

Os equipamentos são modernos e de ponta e vai permitir a realização de quase todos os tipos de cirurgia, assim como de estudos “muito detalhado” da problemática de saúde ocular na região, e porque do lote constam equipamentos portáteis, a partir de agora o hospital vai levar o serviço de oftalmologia para as estruturas periféricas no Fogo e na Brava, com vantagem para a população que necessita dos cuidados.

A Fundação Casa das Bandeiras, que mobilizou a parceria, tem a cominho de Cabo Verde um conjunto de materiais de estomatologia que vai disponibilizar às estruturas de saúde na região, contribuindo assim para a melhoria da prestação dos cuidados de saúde, segundo o presidente da Fundação, Henrique Pires.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.