Segundo Maurino Delgado, que falava em conferência de imprensa, realizada no início desta tarde na Pracinha d’Igreja, defronte do edifício da Câmara Municipal de São Vicente, o movimento junta à sua voz ao Grupo de Apoio à Enseada de Corais da Laginha “em defesa deste património”, que se encontra “em risco de sofrer mais danos” por causa do canal de drenagem fluvial mandado construir pela autarquia.

“Esse canal, na prática, não resolveu o problema da praia da Laginha. Só serviu para dar cabo da enseada de corais, consequência de estudos feitos à pressa, sem a necessária ponderação e competência técnica”, acusou o membro do movimento, para quem a edilidade “não respeita e lei e nem tem em devida conta a vontade da opinião pública”.

Maurino Delgado lembrou que a câmara foi alertada “em tempo oportuno” pelo “erro grave” que cometeu, por professores da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), mas que “nada fez para corrigir o erro”.

Sendo assim, a autoridade camarária, conforme a mesma fonte, violou os Estatutos dos Municípios, no seu artigo 41º, que lhe atribui responsabilidades no domínio da preservação do ambiente, e ainda o decreto-lei nº 29 /2006, que estabelece o regime jurídico de avaliação de impacto ambiental dos projectos públicos e privados susceptíveis de produzir efeitos no ambiente.

“Faz-se notar que a orla marítima é um dos pilares importantes do desenvolvimento de Cabo Verde e entretanto está a ser maltratada e hipotecada”, denunciou activista, que questionou ainda “como é que isso acontece num Estado de Direito e ninguém toma medidas”.

Também, ajuntou, “grave e preocupante” é o comportamento do ministro da Agricultura e Ambiente, que sabendo que esta obra não tem estudo de impacto ambiental, ainda não mandou averiguar as “várias denúncias” que vêm sendo feitas neste sentido.

“Este país não pode ser governado desta maneira”, declarou Maurino Delgado.

O activista referiu-se ainda ao, formado por biólogos e professores da Uni-CV, que abraçou esta luta juntamente com a opinião pública, denunciando a situação, há mais de um ano, que “as entidades, directa e indirectamente, responsáveis pelo problema até então nada fizeram para corrigir o erro cometido”.

O Grupo de Apoio à Enseada de Coral da Laginha tem actuado com conferências de imprensa, vigílias e ainda através de um cordão humano que desencadeou na praia da Laginha, no dia 25 de Agosto, e agora tem em preparação um abaixo-assinado, que conforme Maurino Delgado, recolheu até este momento “mais de sete mil assinaturas”, obtidas somente em São Vicente.

Ilha que, assegurou, corre o risco de perder um “sítio emblemático”, não só pela sua “diversidade e beleza ambiental”, mas também por se tratar de um “laboratório de investigação científica em várias áreas, local de lazer e interesse turístico” e fonte de “rendimento económico”.

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