A informação foi avançada hoje à Inforpress, pelo contador de estórias e activista cultural Adriano Reis, filho de pais cabo-verdianos, nascido em Luanda (Angola) e com um ano de vida viajou para Cabo Verde onde obteve a nacionalidade cabo-verdiana, mas actualmente vive em Lisboa (Portugal).

Dezassete anos a viver na Europa, Adriano Reis quis dar uma contribuição na “promoção e manutenção da arte ancestral” da narração oral do país, por isso resolveu criar este projecto que tem o apoio do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do edital de financiamento 2019 e tem a coordenação técnica de Gil Cabral Moreira, investigador etno-cultural de Cabo Verde e contador de histórias.

O projecto, que iniciou em 2018, tem como objectivo principal, segundo a mesma fonte, “ir viver e conviver” com as “bibliotecas vivas” em Cabo Verde, fazer recolha de costumes e tradições orais, contos tradicionais, intercâmbio cultural com investigadores cabo-verdianos, sessões de contos nas escolas e instituições sociais e culturais em Cabo Verde e nas comunidades cabo-verdianas na Europa e não só.

Na primeira edição, recordou, teve a oportunidade de deslocar-se a Cabo Verde para fazer recolha na ilha de Santiago, apadrinhado pelos investigadores Tomé Varela e Gil Moreira, e de seguida fez a apresentação pública de uma amostra no Palácio da Cultura Ildo Lobo.

Com este projecto, disse, já levou o nome do seu país a 17 países na Europa, nomeadamente Portugal, Luxemburgo, Holanda, Croácia, Alemanha, França, Bélgica entre outros, e ainda já actuou em diversas ilhas de Cabo Verde.

A mesma fonte reconheceu que graças a este projecto está a conseguir compreender melhor a cultura, a identidade, os costumes e tradições e a alma de um santiaguense, visto que viveu bastante tempo em Santo Antão.

“Posso referir que senti vergonha de ser um cabo-verdiano de Santo Antão e não conhecer a cultura pura e genuína do meu país, e beber na fonte dá-me esta oportunidade de partilhar com maior fidelidade possível”, disse, salientando que a cultura da ilha de Santiago é tão rica que agora sente-se apaixonada por ela.

O projecto, cuja primeira edição termina nos Açores (Portugal) com uma homenagem à Tia Néné – Mãe Crioula, disse, permitiu-lhe conhecer e viver obras de Anu Nobu, Ntoni Denti D´oro, Nhá Balila, Nhó Pascoal e beber conhecendo a história de Cimboa, instrumento etnocultural de Cabo Verde, através de Gil Moreira.

Ao fim de um ano, Adriano Reis faz um balanço positivo desta partilha que lhe tem permitido, para além de contar estórias no país e no mundo, colaborado com as suas estórias no programa radiofónico “Olá Meninos” da Rádio de Cabo Verde.

“Muito positivo e com mais vontade de voltar à terra mãe e partilhar. Vou continuar a apoiar a minha curadoria com o Dj D´Sal em levar contadores de histórias de cá (Europa) e trazer de lá (Cabo Verde), levar com orgulho os nossos costumes e tradições à comunidade cabo-verdiana na Europa e não só, efectuar sessões com a alma mais genuína possível, e conhecendo ao fundo os nossos costumes e tradições sinto-me mais cabo-verdiano e não um ´sampadjudu´ que não sabe nada de nada”, sublinhou.

Nessas suas andanças pela comunidade cabo-verdiana na diáspora para partilhar estórias, Adriano Reis disse que muitos cabo-verdianos choram ao reviver estórias antigas do seu país e ao ver objectos tradicionais do país.

Sendo que “Beber na fonte” é um projecto anual, disse que vai continuar a melhorar este projecto e levá-lo para outras ilhas e quiçá, no futuro, transpor toda a recolha que tem feito em livros.

Relativamente à homenagem à tia Néné, que acontece no dia 04 de Setembro, nos Açores, disse que resolveu convidar um contador de histórias dos Açores, Valter Peres, para juntos abraçarem aquela que é a mãe crioula na ilha da Terceira há quase 40 anos.

“Juntos vamos abraçar a tia Néne com histórias das duas ilhas que ela ama, que é Pedra Badejo, na ilha de Santiago, e a Ilha Terceira. Sinto-me grato pela oportunidade de partilhar histórias tradicionais de Cabo Verde não só para ela, bem como para toda a comunidade cabo-verdiana nos Açores, nomeadamente no Pico que temos 175 emigrantes da ilha de São Nicolau, entre outros”, frisou.

A primeira fase do projecto encerra-se na 6ª edição de “Mais Diversidade, Melhor Humanidade”, que acontece de 04 a 15 de Setembro, nos Açores, mas ainda Adriano Reis garante que há muitas estórias para se contar, fazendo recurso à palavra mágica, “stória…stória” (estórias-estórias, em português).

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