“Desde logo, nós temos de dar atenção ao que vem previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e que prevê a criação de comités de protecção infantil em todos os municípios”, disse aos jornalistas, explicando que esses comités devem ser constituídos por jovens, adolescentes, famílias autoridades locais, organizações da sociedade civil, no sentido de se criarem redes.

Essas redes, conforme frisou, servirão não só para advogarem sobre os direitos das crianças, mas também para criarem mecanismos de seguimento e acompanhamento de toda a dinâmica social que se desenvolve a nível comunitário.

“Por esta via, nós todos seremos agente de controlo”, sustentou o responsável indicando que só os agentes policiais não são suficientes para garantir a segurança total das pessoas.

“Isto pode ocorrer em qualquer ponto do país, já que se torna difícil ter um agente a porta de cada família. Por isso nós todos temos de estar vigilantes. Nós todos devemos participar na montagem e na operacionalização desses comités locais de protecção infantil”, sustentou.

Dionísio Pereira acredita que através de um movimento, que envolve para além das autoridades, as famílias, as escolas, outras organizações da sociedade civil, instituições religiosas, é possível fechar o cerco a esses actos que vêm acontecendo.

“O pescador pode verificar quem sabe se as crianças não terão sido levadas pela via marítima. Será que estão ainda no país, será que ainda estão vivas? Nós temos de pensar nisso e colocar recursos sim na tentativa de localizar as crianças, mas muito mais esforços temos de fazer na linha preventiva e devemos pensar isto no contexto nacional”, recomendou.

No espaço de aproximadamente seis meses, pelo menos cinco pessoas, entre as quais quatro crianças, foram dadas como desapreciadas e apesar das investigações da Policia Judiciaria (PJ) nenhum dos casos ficou esclarecido até este momento.

O primeiro caso aconteceu em Agosto de 2017, com Edine Jandira Robalo Lopes Soares, 19 anos, que deixou a casa em Achada Grande Frente, alegando levar o bebé para o controlo no Programa Materno-Infantil (PMI), na Fazenda, sendo que até hoje, a mãe e filho continuam desaparecidos.

Em Novembro de 2017, Edvânia Gonçalves, de 10 anos, residente em Eugénio Lima, também desapareceu de forma misteriosa e até agora também não se sabe do seu paradeiro

O último caso aconteceu no sábado, 03 de Fevereiro, com os primos Clarisse Mendes (Nina) de 9 anos e Sandro Mendes (Filú) de 11 anos, residentes no bairro de Castelão, que saíram de casa da avó para irem comprar açúcar, em Achada Limpo, na Cidade da Praia, e não regressaram.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.