O responsável da Diocese de Mindelo, em entrevista à Inforpress a propósito desta efeméride assinalada hoje, lembrou que nesse ano estava longe, em Portugal, nos últimos anos no seminário, pouco tempo antes de ser ordenado padre.

“Mas, tenho boa memória dos ecos que me chegaram nessa altura, do hino que foi feito e da grande manifestação de fé e do acolhimento global do sucessor de São Pedro aqui nessas ilhas”, disse Dom Ildo Fortes, para quem é um “grande orgulho” ter sido a sua terral natal, Sal, a primeira ilha a ser pisada pelo sumo pontífice.

João Paulo II visitou Cabo Verde durante os dias 25, 26 e 27 de Janeiro de 1990, e esteve na ilha do Sal, e nas cidades da Praia e do Mindelo, naquela que seria a primeira e única visita, até agora, de um Papa ao arquipélago.

Assim, ajuntou, este “cantinho perdido no atlântico” acolheu e “muito bem” o “pastor peregrino” numa visita que, considerou, “não foi tão-somente um acontecimento religioso”, mas, “ultrapassa muito esta dimensão”.

Segundo a mesma fonte, o acontecimento tocou a nível social, cultural, político, todas as dimensões do país e, inclusive, possibilitou uma “coincidência tremenda”, permitindo Cabo Verde entrar, um ano depois, numa “nova etapa felicíssima”, que foi a liberdade e a democracia.

“Ele apelou verdadeiramente à liberdade, à uma Nação que deveria evidenciar os seus valores profundos da convivência, do respeito e da dignidade da pessoa humana”, sublinhou o bispo de Mindelo, adiantando ser precisamente o “respeito pelos direitos humanos” e a “forte doutrina da igreja” os dois destaques da mensagem, que continua a ser actual, do sumo pontífice no país.

Então, di-lo Do, Ildo Fortes, a vinda do Papa não deixou de ter efeito político, contribuindo para essa “nova era”, como também para o estreitar das relações entre Cabo Verde e o Vaticano, derivando daí a criação de uma segunda diocese, Diocese de Mindelo, ordenado pelo próprio João Paulo II, e também a assinatura do acordo jurídico entre os dois Estados.

“Por isso, nós temos para com ele um carinho e ele tem um significado muito importante para todos nós”, frisou, antes de considerar os textos de João Paulo II um “património”.

O prelado ainda lembrou a “Deissidência, coisa de Deus” de ter sido nomeado bispo num dia 25 de Janeiro, mas de 2011, mesmo dia que o Papa chegou a Cabo Verde, esta data que, considerou, “muito significativa” e que vai relembrar na missa que presidirá neste domingo, 26, para reinauguração da Paróquia de Santo Crucifixo, em Santo Antão, que foi restaurada.

Instado se se pode esperar a vinda de um outro papa a Cabo Verde, Dom Ildo Fortes disse ser “tudo possível”, uma vez que da parte das autoridades políticas já houve “fortes e directos convites” e os quatro países vizinhos, Cabo Verde, Senegal, Guiné-Bissau e Mauritânia, que formam uma conferência episcopal já pediram, através do Núncio Apostólico, a vinda do Santo Padre para uma visita regional.

O grupo de 13 bispos, segundo a mesma fonte, também deverá estar com o Papa Francisco no próximo ano e vão reafirmar o convite.

“Não tenho nenhumas garantias que isso vá acontecer, mas o Papa Francisco é um homem de surpresas”, asseverou, embora, admitindo que Francisco tem visitado mais os países em “maiores dificuldades e com necessidade de paz”.

Porém, Cabo Verde, lançou, “está no coração do Papa e entre as centenas de países que há no mundo ele sabe onde fica e quem é Cabo Verde”, concretizou adiantando que tal lhe foi dito na última “visita ad limina” dos bispos da região ao Vaticano, em 2014.

João Paulo II depois do arquipélago, de recordar, seguiu para a vizinha Guiné-Bissau, e depois Mali e Burkina Faso.

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