A denúncia foi feita pelo chefe de cabine, Carlos Carvalho, que disse à Inforpress que estão alojados num espaço sem as mínimas condições, com casas de banho e quartos com baratas e percevejo em lençóis e camas, água da torneira de cor castanha e cheiro a fossa.

Avançou que o grupo chegou na segunda-feira, 23, a ilha do Sal, no voo de repatriamento efectuado pela companhia de aviação açoriana (SATA) e vai permanecer de quarentena por 14 dias.

“Somos seis elementos da tripulação e estamos em condições precárias, estamos no hotel Belorizonte que já estava fechado. O mais grave é que estamos em habitações que estavam inoperativos por falta de condições”, relatou.

Carlos Carvalho explicou que o grupo é composto por seis tripulantes que saíram da ilha do Sal na madrugada do dia 14 de Março no voo Sal/Boston e com o regresso previsto para 17 do mesmo mês, tendo o voo sido cancelado depois do Presidente norte-americano suspender todas as viagens da Europa durante os próximos 30 dias devido ao surto do novo coronavírus.

Acrescentou que chegaram à sala de desembarque na ilha do Sal às 18:10, foi feito o procedimento e medida de temperatura, e só depois de quatro horas é que a equipa foi encaminhada para o hotel Belorizonte, que deixou a tripulação espantada já que mostraram-se disponíveis para fazer a quarentena domiciliar uma vez que residem sozinhos.

“Depois de chegarmos em frente do hotel Belorizonte fomos informados de que iriamos ficar no Hotel Oásis Salinas. Dirigimos para lá, entrarmos normalmente, fizemos o ‘check-in’ normal, alguns foram para os quartos e outros foram jantar e, de repente, chega o pessoal da Protecção Civil, Polícia Nacional e bombeiros para nos escoltar para o hotel Belorizonte, já passavam da uma hora da madrugada”, indicou.

Segundo avançou este responsável, todo esse percurso foi feito sem nenhuma escolta por parte das autoridades responsáveis e nenhum controlo.

Carlos Carvalho referiu que a comida foi hoje levada em materiais descartáveis deixados em cima de uma mesa na varanda de cada quarto.

“Nunca fomos contra a quarentena, queremos e achamos que é uma medida louvável e esperamos que os procedimentos sejam melhor implementados para os próximos passageiros que regressarem a Cabo Verde”, notou.

Por outro lado, mostrou-se ainda preocupado com as pessoas que são colocadas de quarentena, já que durante todo o processo tiveram contactos e falaram com equipa da ASA (Empresa de Aeroportos e Segurança Aérea, no Sal, e com os passageiros que entraram no avião em São Vicente.

Neste momento, a tripulação encontra-se no hotel Belorizonte, que está vigiado por agentes da polícia e sem contacto com as autoridades responsáveis.

Contactado pela Inforpress, o coordenador da Protecção Civil no Sal, Idércio Gomes, adiantou que uma equipa irá dirigir-se ao local para averiguar a situação.

O Governo determinou, terça-feira, que todos os passageiros nacionais e internacionais provenientes dos voos de repatriamento de cabo-verdianos no exterior devem ficar em quarentena obrigatório.

O novo coronavírus já fez a sua primeira vítima em Cabo Verde, um turista inglês de 62 anos, o primeiro dos três casos positivos confirmados na ilha da Boa Vista.

De acordo com o novo balanço divulgado às 11:00 desta terça-feira, o novo coronavírus matou 16.961 pessoas em todo o mundo desde que surgiu em Dezembro.

Foram registados mais de 386.350 casos de infecção em mais de 175 países e territórios desde o início da epidemia.

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