Em deliberação saída de reunião ordinária de 15 de maio e que entrou em vigor na segunda-feira, a Câmara Municipal da Praia determinou que “todos os táxis devem colocar barreiras de proteção transparentes no interior dos veículos, tornando-se obrigatório o uso de máscaras para os condutores bem como a implementação de medidas permanentes de higienização dos mesmos”.

A deliberação consta das medidas restritivas ao funcionamento dos serviços da autarquia no contexto da terceira prorrogação do estado de emergência para a ilha de Santiago, e que contempla ainda os mercados municipais e os transportes públicos, com duração de duas semanas.

Abordado pela agência Lusa sobre a medida, o presidente da Associação dos Proprietários de Táxis da cidade da Praia, João Vaz Antunes, disse que a deliberação “peca por tardia”, já que há muito que foram introduzidas nos táxis da capital.

“Tivemos um encontro logo no início com a Delegacia de Saúde e nós transmitimos estas recomendações aos taxistas. E até fomos mais longe na questão sanitária e dissemos-lhes que andassem com os vidros em baixo para haver uma ventilação natural”, indicou.

Segundo João Vaz Antunes, há muito que os taxistas têm tido muito cuidado, já que transportam centenas de pessoas por dia, cada uma com os seus hábitos de higiene.

“Introduzimos essas medidas de precaução logo depois que tivemos conhecimento do primeiro caso de covid-19 aqui na Praia, de modo a salvaguardar os condutores e os passageiros”, prosseguiu o responsável, para quem o regulamento da autarquia “peca por tardia”.

O presidente dos proprietários de táxis da capital cabo-verdiana lamentou o facto de a Câmara, que licencia esses transportes públicos, nunca ter tido contactado a associação para dar indicações do que tinham que fazer preventivamente.

“Agora, a Câmara vem trazer a público uma deliberação que para nós não tem efeito nenhum”, contestou Vaz Antunes, que criticou a “falta de sintonia” com a autarquia, que nas suas medidas de contingência anunciadas em abril, determinou que os transportes públicos devem funcionar a 50% de lotação.

Com mais de 700 táxis na Praia, João Vaz Antunes disse que mais de metade desse número tem operado em tempos de pandemia, mas “sobre os joelhos”.

“Daí que seria muito importante que tivéssemos um encontro com a Câmara no sentido de aligeirar ou fazer uma sintonia com a Sociedade Interbancária e Sistemas de Pagamentos (SISP) para pagamento automático e evitar movimentação de dinheiro em mãos”, continuou Antunes.

Mesmo em tempo de confinamento, há muita gente que tem de se deslocar por um motivou ou outro, mas João Vaz Antunes disse que, de um modo geral, a população da capital cabo-verdiana tem-se comportado bem, utilizando as máscaras e a parte traseira dos táxis.

“As pessoas têm reagido bem e estamos a fazer a nossa parte”, sublinhou o líder associativo.

 Cabo Verde regista 335 casos de covid-19, distribuídos pelas ilhas de Santiago (276), Boa Vista (56) e São Vicente (3).

Do total, 85 doentes foram dados como recuperados, três acabaram por morrer, dois turistas estrangeiros infetados regressaram aos países de origem e permanecem assim ativos 245 casos de covid-19 no país.

 A ilha de Santiago é a única que permanece em estado de emergência, pelo menos até às 24:00 do dia 29 de maio, e a cidade da Praia o centro da pandemia no país, com 270 casos acumulados.

Na ilha da Boa Vista, onde se registou o primeiro foco da doença em Cabo Verde, a 19 de março, do acumulado de 56 casos de covid-19 apenas dois permanecem ativos.

 Em São Vicente o único registo é de três pessoas da mesma família que contraíram a doença, mas que ainda em abril foram dados como recuperados.

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