O sacerdote fez este apelo através das redes sociais, nomeadamente, na página do Facebook das paróquias da Brava, onde falou do Tríduo Pascal em tempo de pandemia.

Considerou esta Semana Santa como sendo uma semana “sem precedentes”, onde segundo o mesmo, a emergência causada pela pandemia de coronavírus (covid-19), impede que as comunidades cristãs possam celebrar os ritos dos próximos dias juntos.

“Os católicos praticantes são chamados este ano a algo que na história do cristianismo só aconteceu em tempos de perseguição: a impossibilidade de os fiéis irem à missa não só aos domingos, mas também no momento liturgicamente mais importante do ano, o Tríduo Pascal”, enfatizou o sacerdote.

Conforme explicou, as celebrações litúrgicas estarão sem o Povo de Deus, o que significa que os celebrantes estarão “quase sozinhos”, sem a própria comunidade.

E perante tal situação, disse que o caminho será “combinar a própria solidão com a de Cristo e a de Maria.

“A solidão de Jesus e a minha serão duas solidões acompanhadas, duas solidões que se farão companhia”, adiantou.

Frei Matias refrescou que “a Quinta-feira Santa é o dia em que Jesus, no final da ceia, instituiu a eucaristia.

“O seu corpo partido, seu sangue derramado por nós e por todos. Um nós e um todos que, naquele momento de há dois mil anos, estavam presentes e participantes não na realidade, mas no coração de Jesus”, vincou.

Mas, explicou que Jesus estava só porque “nem mesmo os discípulos entenderam” o que estava a acontecer, e que só entenderiam depois de Pentecostes, o “Mistério” que o Mestre estava a celebrar com eles e para eles.

Já a Sexta-Feira Santa considerou que é, “por excelência, o dia da solidão de Jesus”.

O religioso contou que de acordo com a bíblia sagrada, esteve “só no jardim das Oliveiras, só na frente de Pilatos, só na Cruz”.

E no Sábado Santo, também debruçando-se sobre a Sagrada Escritura, enfatizou que “é o dia da solidão de Maria no Sepulcro”.

E este dia, considerou-o “por excelência o dia a-litúrgico (sem liturgia).

“Jesus sacramentado não está e somos convidados a reflectir sobre essa ausência, olhar para Jesus que se faz semente enterrada na terra para dar frutos”, esclareceu.

No silêncio, realçou que é hora de “fazer companhia à solidão da Maria”, que sem Jesus é a “única que acredita que o Filho seria ressuscitado no dia seguinte”, e assim ela também é abandonada por todos os outros discípulos, pelas mulheres, que olham para ela com a compaixão de quem pensa que a dor a tinha levado à loucura.

O Domingo que é celebrado o dia da Ressurreição, mas mesmo assim, salientou que o evento ocorre em silêncio, “quando não há ninguém, ao amanhecer, acreditado apenas por Maria e pelos outros envoltos em tantas dúvidas e medos e ninguém estava presente no momento da Ressurreição”.

O Tríduo Pascal, segundo o religioso, é um “mistério íntimo e interior do coração de Deus que acolhe o Espírito do Filho e nos faz filhos, através da vergonha e solidão da cruz, convidando-nos para uma fé que é chamada pessoal, como a de Madalena, a de Pedro, ou a de João”.

Frei Matias ressaltou ainda que quando se queixa da ausência de missa, deve-se lembrar que somente com o Pentecostes, que este ano será a 31 de Maio, “este Mistério se tornará o credo da Igreja”.

O sacerdote relembrou que serão feitas celebrações na televisão pública, com início às 07h30 min – Laudes (quinta-feira santa, sexta-feira santa e Sábado Santo), a Eucaristia da quinta-feira Santa da Ceia do Senhor, será às 18h30, a Paixão do Senhor na Sexta-feira Santa, às 15h00, a Vigília Pascal, Sábado, às 21h00 e o Domingo da Ressurreição, às 10h00.

Para finalizar, realçou que “na esperança de em breve termos tempos melhores, vivamos o Tríduo Pascal com muita fé e esperança. Cristo, a nossa Páscoa está sempre connosco e, como aos discípulos no cenáculo, nos visitará nas nossas casas, com as nossas famílias”.

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