A secretária executiva do Comité de Coordenação de Combate à Sida (CCS-Sida), Celina Ferreira, fez essas considerações em declarações à imprensa à margem do ateliê sobre o tema “VIH/Sida, Género e Direitos Humanos”, promovido no âmbito do processo de preparação de Cabo Verde para a certificação da eliminação de transmissão vertical do VIH.

“Cabo Verde está a delinear a estratégia e o plano para a certificação da eliminação de transmissão vertical do VIH em 2020 e para isso, há um conjunto de estratégias que o país deve respeitar, começando pela inclusão das pessoas que vivem com HIV e redução de estigma e descriminação”, disse, salientando que o ateliê é o início de muitas outras acções que vão ser desenvolvidas neste âmbito.

Segundo Celina Ferreira, o evento insere-se no programa de desenvolvimento e capacidade de participação de mulheres seropositivas na resposta que se quer dar para a eliminação de transmissão vertical em Cabo Verde visando facilitar a participação da Rede de Pessoas que Vivem com VIH.

O ateliê, que será realizado hoje e terça-feira para diferentes actores da sociedade, vai, segundo a secretária executiva da CCS-Sida, fornecer um conjunto de ferramentas no domínio de direitos humanos, inclusão do género, empoderamento pessoal e social para pessoas seropositivas.

A arranque da formação na ilha de Santiago é justificado por Celina Ferreira com o facto de que cerca de 80% de pessoas que vivem com VIH está na ilha, assim como maior número de redes de serviços sociais assim como associações.

“Com isso queremos dizer às pessoas que a prevenção para adesão ao tratamento, no aumento da habilitação para que possam saber como fazer a gestão do estigma e discriminação, e na esperança positiva para que possam viver normal é essencial”, acrescentou.

Para Leila Rodrigues, membro da Rede de Pessoas que Vivem com VIH, as pessoas que vivem e convivem com o vírus e a doença devem ter noção dos seus direitos e dos compromissos do Governo para a eliminação do vírus para que possam saber que caminhos seguir.

“A articulação dos compromissos com as redes existentes e associações pode ajudar na resolução dos problemas, a partir da sensibilização da sociedade sobre o impacto das violações de direitos humanos e sobre as políticas de saúde pública no domínio de VIH”, disse.

No terreno, segundo contou, a rede tem deparado com muitas situações de discriminação e estigma, mas que com o apoio dos psicólogos muita coisa tem mudado, apesar de notar que a sociedade cabo-verdiana ainda continua envolto a vários “tabus”.

A Rede que é constituída por 40 membros da ilha de Santiago tem, também, apostado na formação para que as pessoas com VIH/Sida possam ter uma forma de ganhar o seu sustento sem depender de outras pessoas.

O Governo, através do Ministério da Saúde, está a preparar políticas que vão ao encontro a certificação da eliminação de transmissão vertical em 2020 e que inclui acções como o fortalecimento, a gestão da atenção primária de saúde, acções de prevenção, diagnóstico, assistência e tratamento de grávidas, parceiros sexuais e crianças.

A qualificação da vigilância epidemiológica e do sistema de informação, monitoramento e avaliação contínua da política pública voltada para a eliminação da transmissão vertical é também um dos objectivos do Governo para a eliminação de transmissão vertical em 2020.

O ateliê financiado pela Unicef, vai abranger uma centena de participantes, afectos às ONG e à Rede Nacional de Pessoas que vivem com VIH, em matéria de Género e Direitos Humanos, visando reforçar a participação de mulheres e das organizações da sociedade civil, na implementação e monitoramento do processo da certificação nacional da eliminação de transmissão vertical de VIH e de Sífilis.

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