Um estudo conduzido pelo pesquisador dinamarquês Lars Larsen, da Universidade de Aarhus, indica que a inteligência se mantém estável após os 20 anos de idade e, em alguns casos, pode até aumentar com o passar dos anos. A pesquisa, divulgada pela BBC, contradiz a teoria de que a capacidade intelectual tem o seu auge na juventude, entre os 18 e os 26 anos de idade.

O estudo foi baseado em dados de 4,3 mil ex-soldados americanos, que fizeram testes de inteligência aos 20 anos de idade, antes de entrarem para o serviço militar. Os mesmos soldados, todos veteranos da Guerra do Vietnam, foram submetidos a novos testes décadas depois, sendo que os resultados mostraram que a capacidade aritmética estava inalterada, em vez de ter reduzido com a idade, e a habilidade verbal tinha melhorado consideravelmente.

À BBC, Larsen diz que a melhoria pode ser o resultado de longos anos de prática. Segundo o pesquisador, com o aumento da experiência de vida e com os desafios que se vão encontrando pela frente, as pessoas desenvolvem mais destreza verbal para descrever o seu mundo e lidar com as diferentes situações. Este efeito anularia a perda de células cerebrais, que técnicas analíticas já mostraram que acontece um pouco antes dos 30 anos de idade.

O estudo, publicado na revista académica “Intelligence”, faz parte de uma revolução na pesquisa sobre a inteligência, que começou há vários anos e causou uma reviravolta na antiga idéia de que a inteligência tem sua fase mais poderosa no início da fase adulta e depois inicia um longo, lento e inevitável declínio, esclarece a cadeia britânica.

A pesquisa também poderá abrir caminho para mudanças na concepção de empregadores e instituições educacionais sobre a inclusão nos seus quadros de pessoas com idade mais avançada.

Sónia Santos Dias

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