Em entrevista exclusiva à Inforpress, o presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, José Alves Fernandes, adiantou que estes projectos “consistentes e sólidos” abrangem ainda as famílias que vivem da extracção de rochas em algumas localidades desse município do interior de Santiago.

Conforme explicou, estes projectos visam a reconversão das famílias que vivem dessa prática para actividades geradoras de rendimento (AGR).

Para a montagem desses projectos, que já está em curso, a edilidade espera contar com a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Morabi – Associação de Apoio à Auto-Promoção da Mulher no Desenvolvimento e outros parceiros internacionais.

José Alves Fernandes admitiu ainda a possibilidade de o município recorrer à candidatura aos fundos da União Europeia (UE) para pôr de pé estes projectos alternativos à extracção de inertes que vem arrastando há muito tempo e que já degradou as praias de mar nas duas vilas piscatórias (Rincão e Ribeira da Barca).

Para ele, antes de se passar para a recuperação das praias deve-se criar projectos “consistentes e sólidos” para combater a apanha de areia, aliás, lembrou que é isso que estão a fazer.

Instado se a apanha de areia vai ser proibida nas praias do concelho respondeu nesses termos: “A apanha de areia vai ser combatida com outros projectos estruturantes que dão garantia às famílias que vivem dessa prática. Essas famílias seguramente, com projectos bem montados e rentáveis, vão deixar a apanha de areia e vão aderir a esses projectos”.

“Entendemos que a via fundamental tem que ser o diálogo e a montagem de um projecto em articulação com os nossos parceiros e com essas famílias para que posamos atingir resultados”, rematou.

Em Ribeira da Barca, a localidade de Charco continua a ser palco da apanha de areia por várias famílias, sobretudo mulheres das zonas de Ribeira em Cima, Ribeira da Barca, Charco e Achada Leite e de outras localidades desse município do interior de Santiago.

Abordados pela Inforpress, um grupo de famílias de Ribeira da Barca que vive da apanha e extracção de inertes congratulou-se com o “projecto alternativo” da edilidade, mas, alertaram às autoridades que os beneficiários têm que ser os que, de momento, estão nessa labuta “todos os dias”.

Edna Tavares Moreira, Maria Filomena Rocha e Emanuel estão entre as cerca de 60 pessoas que, actualmente, fazem extracção de inertes na praia de Charco, e assim como outros entrevistados da Inforpress disseram que têm a noção de que estão a “degradar” o meio ambiente, mas, no entanto, alegam que não têm outro “ganha pão” a não ser essa prática.

Estes que dizem que já estão a sentir problemas de saúde em virtude dessa prática, apontaram uma empresa de fabrico de gelo ou de transformação de pescado, e construção de botes para trabalharem em cooperativa como possíveis “projectos alternativos” à apanha e extracção de inertes.

Em Ribeira da Barca existe uma Unidade de Transformação e Agregação do Valor do Pescado (UTAV) que se dedica à transformação e conservação do pescado, mas os pescadores contactados pela Inforpress garantem que nunca beneficiaram dessa unidade inaugurada em 2012, e que entrou em funcionamento em Abril de 2014.

De entre as dificuldades enfrentadas, os pescadores apontaram a aquisição de motor, materiais de pesca, arrastadores e máquina de gelo.

Relativamente ao problema do gelo, informaram que se têm “desenrascado” com o “gelo caseiro” feito pelas pessoas através da arca frigorífica.

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