Foi inventor, político, militar, com onze louvores e sete condecorações no curriculo, músico (exímio executante de harpa e guitarra), tendo recebido das mãos da rainha D. Amélia uma guitarra especial (familiares referem que foi um violino de ouro) e participado em tertúlias com o Infante D. Afonso e D. Carlos, que o estimavam e lhe franqueavam as portas do Paço.

Viriato da Fonseca era igualmente um hábil contabilista e chegou mesmo a ser indigitado para ministro das Finanças de Portugal. Álvaro de Castro, na época Presidente do Conselho, ofereceu-lhe o cargo de Governador Geral de Angola, mas Viriato da Fonseca recusou. Preferiu esperar pela vaga de Governador Geral de Cabo Verde - que nunca chegaria, devido às mudanças políticas que se sucederam.

Viriato Gomes da Fonseca nasceu em 1863, no lugar de Curral do Coculi, freguesia de Santo Crucifixo, na ilha de Santo Antão. Aos sete anos viajou para Lisboa, tendo concluido os seus estudos de Artilharia na Escola de Guerra. Em 1897, o jovem tenente regressa a Cabo Verde com o objectivo fixo de ajudar no desenvolvimento das ilhas.

Muito cedo revelou dotes de orador extraordinário com grande capacidade de comunicação e enorme carisma, gozando de uma memória prodigidiosa que lhe permitia produzir os seus discursos sem recurso à leitura.

Guerra na Guiné

Em 1907, foi nomeado comandante de uma bateria numa missão expedicionária à Guiné. Travavam-se, na altura, as chamadas 'guerras de pacificação' contra os povos indígenas em luta contra a presença portuguesa naquele território. Ao contrário do que era costume com os soldados oriundos de Santo Antão, enviados para as guerras na Guiné, Viriato da Fonseca resistiu ao paludismo e outras febres que dizimavam estes cabo-verdianos naquela região de África.

Promovido a major, e novamente em Lisboa, Viriato da Fonseca dedicou-se à balística e a fazer algumas alterações à régua de Chalat, acabando por inventar um Sintómetro de Perpendiculo, que a Inspecção de Artilharia de campanha não aprovou.

De regresso a Cabo Verde, desempenhou cargos de director de Obras Públicas e de Chefe de Agrimensura.
O abastecimento de água à Vila da Ponta do Sol, o estudo das levadas e um levantamento topográfico do Concelho do Paul, são as obras mais salientes que realizou na Ilha de Santo Antão.

Na Ilha do Fogo fez um reconhecimento do Montado Real e a ilha Brava ficou devendo-lhe um estudo completo do Porto da Furna, que nunca se construiu. Há quem diga que foi autor também de um projecto para a construção do Porto Grande.

Foi ainda Comandante Militar da Ilha de São Vicente, Administrador do Concelho da Ilha de Santo Antão, de Dezembro de 1910 a Novembro de 1912 e durante o mesmo período, desempenhou, igualmente, o cargo de Presidente da Comissão Municipal da mesma ilha.

Político

Em 1919, o povo das ilhas, reconhecido pela sua competência nos trabalhos por ele realizados e ciente do seu grande patriotismo e amor à terra natal, confiou-lhe o encargo de representar a Província no Parlamento. E é assim que ingressa na política para ser deputado pelo Partido Republicano Português (PRP), de 1919 a 1922 e pelo Partido Republicano Constituinte, de 1922 a 1925.

Nestas funções tomaria parte em inúmeras comissões nomeadas pelo Parlamento, tais como a de Recrutamento, a de Colónias, a de Guerra, a Parlamentar de Inquérito aos Bairros Sociais e do Ministério da Guerra, nesta, primeiro como vogal e depois como presidente, e ainda da que foi encarregada de receber o Marechal Joffre, quando este cabo de guerra francês veio a Portugal representar o exército do seu país nos festejos levados a efeito em honra dos Soldados Desconhecidos Portugueses.

Aos 63 anos, foi promovido a general e prestou serviços no Instituto Geagráfico e Cadastral, com vários estudos de sua autoria sobre cadastramento da propriedade rural publicados do boletim deste organismo e na Revista Militar.

Faleceu a 26 de Fevereiro de 1942, na sua residência, a Vivenda Cesária, em Paço d´ Arcos, Portugal.

Do seu casamento com Cesária da Conceição Machado Fonseca, natural de Lisboa, nasceram dez filhos: Viriato, Manuel, Augusto, João, Júlia, Ema, Celisa, Pedro, Lucete e Alberto.

De acordo com Fernando Casimiro, bisneto do general, e que tem em preparação uma biografia do ilustre antepassado, em 1961 a família de Viriato Gomes da Fonseca ainda vivia em Paço d´Arcos, na vivenda Cesária, nome da esposa. As duas filhas mais velhas, Júlia e Ema (com 97 e 95 anos, respectivamente), no final dos anos oitenta, moravam num rés-do-chão, junto dos bombeiros de Paço d'Arcos, tendo ambas vivido ainda mais três anos.

Os restos mortais do General Viriato e outros membros da família encontram-se depositados no jazigo em nome do General Viriato Gomes da Fonseca, no cemitério de Oeiras.

Uma rua com o nome do general Viriato Gomes da Fonseca existiu em tempos, em Mindelo, tendo sido retirada após a independência das Ilhas.

Algumas condecorações recebidas

Comendador da Ordem de Nossa Senhora de Vila Viçosa; Medalha Militar de Prata da Rainha D. Amélia; Medalha dos Serviços Distintos no Ultramar; Comendador da Ordem Militar de São Vicente de Aviz; Medalha de Ouro da Classe de Comportamento Exemplar; Cavaleiro da Ordem Militar de Santiago de Espada e Grã Cruz da Ordem Militar de São Bento de Aviz.

Joaquim Arena@

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