Com efeito, utentes procuraram a Inforpress na ilha Brava para denunciarem esta situação, pois, conforme explicou Andrea Baptista, esta não é a primeira vez que passa por este constrangimento e que há cerca de três anos pagou e não recuperou o seu dinheiro.

Segundo a mesma, os utentes dirigem-se à única clínica de estomatologia na ilha, fazem o orçamento e quando chegam no INPS a informação que lhes dão é que paguem o valor por completo e que depois serão reembolsados o valor, que seria descontado com a emissão da credencial.

“Em todas as ilhas quando se vai à consulta o utente toma a credencial no INPS leva a clínica, faz o tratamento e paga somente a sua parcela”, disse Andrea Baptista, acrescentando que não é o caso da Brava.

Conforme contou, aqui vão ao dentista, fazem todo o processo e se querem mesmo prosseguir com o tratamento devem pagar o montante do orçamento na totalidade para depois o INPS prosseguir com o reembolso.

“Mas a questão nem é totalmente o pagamento ou o reembolso. É que demoram com o processo, e nem todos possuem o valor ou as condições de pagar a consulta e todo o tratamento”, disse a mesma fonte.

Acrescentou ainda que “se calhar há muitas pessoas que não vão ao dentista ou não fazem tratamentos dentários e optam pela extracção”, porque “não conseguem suportar todas estas despesas”.

Contou, que há cerca de três anos, fez um tratamento na mesma clínica e até ainda não viu o dinheiro do reembolso, porque é funcionária da Caixa Económica de Cabo Verde e dispõe de um montante para consultas, mas para isso tem de apresentar o recibo original, e o INPS “além de não emitir credenciais, não aceita cópias”.

A reivindicação dos utentes é se a ilha Brava ou as outras ilhas que passam pela mesma situação “não merecem” um tratamento igualitário na questão da saúde, visto que pagam todos os meses para beneficiarem do INPS.

“Porquê é que a ilha Brava é a que apresenta mais problemas orais a nível do país, não dispõe de um serviço de estomatologia público e a única clínica privada que pode prestar o serviço os utentes não beneficiam de credenciais para tal”, questionou.

Contactado, o serviço do INPS, a responsável do Gabinete da Qualidade e Comunicação, Sandra Sanches, disse que a clínica de estomatologia em questão “não tem acordo” com o INPS.

Sendo assim, acrescentou que “visando o cumprimento das normas estabelecidas, e por uma questão de igualdade com as outras que não têm acordo com o INPS, não se pode emitir credenciais a favor desta”.

Mas, reforçou que os clientes podem sempre efectuar o tratamento e o INPS “procederá com o reembolso nos moldes da legislação em vigor”, e caso a clínica manifestar interesse pode-se fazer o acordo.

Entretanto, a Inforpress apurou por fontes oficiais e através de documentos de alguns utentes que anteriormente o INPS emitia credencial para esta clínica que já tem nove anos na ilha e só há três anos decidiram não emitir mais.

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