Ter Kellyana de volta à escola Manuel Rodrigues Gomes, na ilha Brava, segundo a coordenadora da escola, Vanusa Monteiro, é um grande desafio, mas muito gratificante, porque a Kelly, como é conhecida, demonstra muito amor e carisma pelos estudos, “pena é que ela não tem tido apoios suficientes para um bom tratamento”.

Entretanto, além de estar feliz com a volta da criança que estava fora do sistema escolar, a coordenadora disse ser consciente de que a Kelly necessita de outro tipo de atenção e tratamento, porque o seu problema já está muito mais além e ela carece de apoios.

Até porque, estranha o facto de ela não estar a beneficiar da pensão social, tendo em conta que a sua mãe é desempregada e a família tem fracos rendimentos.

Kellyana regressou a frequentar as aulas devido ao apoio e boa vontade de uma vizinha, Maria de Fátima, traz a Kelly todos os dias a escola e volta a levá-la de novo para casa, juntamente com a sua filha, que também frequenta as aulas em Nova Sintra.

Devido a deficiência da mesma, não ouve nem fala, não tem noção do lugar e, por medo de algum acidente com carros, a mãe, tinha decidido suspender a Kelly de frequentar as aulas.

Daí, após algum tempo procurando soluções para esta aluna, o coordenador da Equipa de Apoio à Educação Inclusiva na Brava, Alfredo Gomes, procurou a Maria de Fátima, pedindo apoio para a Kelly, porque na ilha, a maioria daqueles que conhecem a criança, são comovidos pela situação da menina.

Maria de Fátima aceitou e disse que decidiu apoiar esta criança, porque quem convive com ela vê e sabe que Kelly gosta de estar na escola e antes de ser transferida para a escola no centro da cidade, ela sempre ia as aulas na escola de Lém, que fica mais próxima da sua zona, mas esta foi encerrada devido a diminuição dos alunos.

Até porque, conforme a mesma, tem dias que a sua filha sai mais cedo e a professora da Kelly, leva-a até o local para voltarem para casa e a Kelly implica sempre, porque ela quer ficar na escola até o horário de saída, caso for antes, ela apresenta uma certa resistência.

A professora Otelinda Duarte sente-se feliz por ter ela de volta, mas também, em termos de preparação, a professora diz que muitas vezes sente triste. “Ver a aluna a encaram-me, entendo logo que ela não está a compreender o que eu estou dizendo e eu também não consigo entender para explicá-la de outra forma”, lamenta.

Isto, deve-se ao facto de a professora não estar preparada para lidar com a deficiência da aluna e a única alternativa que estão utilizando para melhorar a comunicação entre elas, é com a convivência.

De acordo com a mesma, se ela for num dia, aprende como ela pede água, num outro dia, já não apresenta dificuldades em percebê-la neste sentido, assim como algumas outras coisas do dia-a-dia, como sorrir, dizer bom dia, entre outros.

Mas, em termos de conteúdos, ela não consegue explicá-la quase nada, porque não possui domínio na área, entretanto, a mesma disse que sempre tem procurado apoios para tentar ajudar a Kelly, mas nem sempre os seus pedidos são respondidos. E o facto de não poder comunicar com a aluna, leva-a a sentir-se “impotente”.

A Kellyana de acordo com a professora, ela copia tudo o que coloca no quadro, escreve o seu nome mesmo sem copiar, mas a questão é passar um exercício e explicá-la como que ela deve fazer.

Mesmo com estas dificuldades, a professora e nem os outros envolventes neste processo não estão desistindo da Kelly, procurando sempre soluções para que ela não seja afastada do sistema escolar.

Mas a luta vai mais além disso, estando também a procura de apoios para a Kelly beneficiar da pensão social e mesmo para que ela faça um tratamento e ter um acompanhamento melhor.

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