Segundo as mesmas fontes, o incêndio começou por volta das 22:00 locais e a origem terá sido uma vela acesa numa das barracas e o fogo rapidamente se alastrou para as casas na parte mais labiríntica do bairro.

O site Boavista no Ar escreveu que o incêndio gerou o pânico entre os moradores, que com meios próprios tentaram controlar as chamas e recuperar os seus pertences.

O mesmo site informou que o fogo foi controlado cerca de duas horas depois, após intervenção da polícia, dos Bombeiros da empresa que administra os aeroportos cabo-verdianos (ASA) e da Proteção Civil.

A única vítima foi uma criança de cinco anos que estava dentro da casa onde o fogo começou, que foi transportada para o hospital com queimaduras de primeiro grau.

Onze famílias ficaram sem as suas casas e foram abrigadas provisoriamente pelos serviços de Ação Social da Câmara Municipal no pavilhão desportivo local.

O bairro, antes conhecido como Barraca e a que agora quase todos preferem chamar de Boa Esperança, a escassos metros do centro de Sal Rei, principal localidade da Boavista, abriga entre nove e 10 mil pessoas, boa parte trabalhadores que fazem funcionar a máquina turística da ilha.

Lamine Fati, presidente da Associação Comunitária da Boavista (ACUB), disse à agência Lusa que ainda hoje será feito um levantamento do número exato de pessoas afetadas, com o objetivo de fazer uma campanha para ajudar as famílias.

O responsável comunitário deu conta, por exemplo, que uma das famílias afetadas faz parte de um projeto da associação, e é composta por oito pessoas.

O maior incêndio no bairro aconteceu em 2002 e matou duas pessoas.

O assunto chegou à sessão plenária de janeiro que está a decorrer no parlamento cabo-verdiano, com os deputados de todos os partidos a manifestarem solidariedade para com os afetados e apelar a uma rápida resolução da situação no bairro de barraca numa das ilhas mais turísticas do país.

O ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, disse que o Governo também está solidário e vai "atuar fortemente" para ajudar as famílias afetadas.

Gilberto Silva informou que ainda hoje a ministra das Infraestruturas, Eunice Silva, vai deslocar-se à ilha da Boavista para representar o Governo e "tomar as medidas que se impõem".

"O Governo vai reagir e estará presente com as famílias para resolver a situação", garantiu o governante, admitindo que o risco de incêndio "existe e sempre existiu" no bairro onde vivem os trabalhadores que servem nos hotéis, e que tem outros problemas como falta de água e de luz e onde quando chove as ruas se transformam em verdadeiros lagos.

O ministro disse ainda que o executivo vem intervindo na reabilitação urbana do bairro, com "investimentos avultadíssimos" e que em breve os moradores vão ver as suas condições de vida e habitação melhoradas.

O Governo cabo-verdiano aprovou uma verba de cerca de 3,2 milhões de euros para avançar com a infraestruturação de uma zona ao lado do bairro que será posteriormente loteada para permitir o realojamento de parte dos habitantes.

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