O bispo Dom Ildo Fortes fez essas declarações à Inforpress, na ilha do Sal, onde se encontra para um retiro espiritual, durante uma semana, antecedida de sessões de formação, com foco na juventude, partindo de um documento que saiu do Papa que se chama “Cristo Vive”.

“Eu penso que os nossos jovens, hoje, facilmente são manobrados. Há correntes perigosas, daqui ou de acolá que atentam contra a família, a própria ordem estabelecida. Depois, em Cabo Verde, há uma triste realidade (…) muitos jovens querem se formar – os que querem -, e não vêm o futuro com esperança. É preocupante a quantidade de jovens que saem das universidades e que estão à espera de um emprego”, lamentou.

Considerando a situação, Dom Ildo Fortes entende que isso é propenso a vida de muito ócio, a devaneio, a andar atrás de tudo o que aparece, ao uso da droga, do álcool, resumindo, a buscar prazeres, conforme analisa, que lhes dê satisfação.

“Isso é preocupante, sobretudo, porque há um declínio de valores fundamentais, o respeito, a verdade, o amor, a vivência da sexualidade (…), há grandes valores que estão caindo. Hoje há uma busca grande de uma vida muito egoísta, de prazeres, seu espaço, e isso não é nada bom”, ponderou.

“E ai de nós da igreja, não olharmos para isso, e não procurarmos ajudar os jovens… hoje em dia vive-se a cultura do descarte, tudo muda de repente, e os jovens nem sabem bem se situar. Estão ávidos para consumir”, analisou, observando que há questões que colocam a todo o tempo: quem sou, onde venho, para onde vou, o que é que eu quero da vida.

“São questões que os jovens atravessam hoje. Para não falar que há uma grande ilusão. Têm acesso a muitas coisas”, referiu, questionando porque é que os jovens não se preocupam com outras coisas que se passam na nossa terra, como por exemplo, o suicídio, a violência gratuita.

“Alguma coisa não está bem. E não é só o facto de nós não termos meios, ou sermos pobres. Já fomos pobres ontem muito mais do que somos hoje, mas não assistíamos a isso. Portanto, há aqui qualquer coisa que não está a funcionar, e muitos jovens atravessam um calvário sozinhos”, acautelou.

Dom Ildo Fortes conclui, despertando que os jovens “são um tesouro”.

“É bom que se diga isso. A juventude é uma riqueza grande. E um país como o nosso deve dar muitas graças por ter muita juventude, mas que essa juventude esteja canalizada para o positivo, para o bem de si próprio, e para o bem dos outros. Ninguém é feliz se não pensar no outro”, enfatizou.

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