A ativista social fez essas considerações à imprensa à margem do seminário realizado hoje, na Cidade da Praia, para discutir os fundamentos do desenvolvimento infantil, abordando o modelo biopsicossocial da deficiência nas crianças na sua dimensão social.

Este seminário, revela a presidente da ANAPEE-CV, tem como objetivo “desconstruir a visão convencional sobre a deficiência e dos preconceitos a ela vinculados”.

Para esta dirigente associativa, a discussão ora promovida mostra-se essencial em razão da mudança de paradigma em relação ao conceito de deficiência, da educação e desafios sobre os cuidados em relação às crianças portadoras de deficiência.

“Pretendemos orientar os pais sobre o desenvolvimento integral de uma criança, principalmente quando se trata de uma criança especial”, precisou Rosária Almeida, adiantando que há “muitos relatos sobre pais que não sabem lidar com casos de filhos portadores de deficiência”.

O público alvo deste seminário são famílias que têm no seu seio crianças com deficiências, mas segundo a presidente da ANAPEE-CV, a presença dessas pessoas ficou aquém das expectativas, o que revela que ainda existe “algum preconceito” da parte das pessoas em expor os seus filhos.

“Às vezes, um simples olhar das pessoas para os seus filhos é motivo para sentirem vergonha e acabam por abandonar o espaço onde se encontravam”, lamenta Rosária Almeida, acrescentando que é aquele “olhar social que acaba por intimidar os pais”.

Instada se há a necessidade de se fazer um trabalho a fundo junto das famílias, disse que sim, porque, prossegue, o “engajamento da família” constitui um dos “principais pilares” para o desenvolvimento das chamadas crianças especiais.

Para a presidente da ANAPEE-CV, diante de uma criança portadora de deficiência, os pais devem reagir com normalidade, porque esse bebé não tem culpa por ter nascido assim.

“Temos que estar adaptados para os receber de igual forma como se fossem crianças ditas normais”, apelou a ativista social, que reconhece avanços registados no país neste domínio, mas ainda existe uma “imensa desigualdade social”.

O referido seminário realizou-se em parceria com o Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA).