O parque, que se encontra neste momento coberto de plantas invasoras, e com espécies endémicas “um tanto ou quanto em perigo”, deverá ser transformado pelo projecto que a AAMI pretende efectivar nos próximos tempos, avançou o presidente da Associação Amigos de Mato Inglês, Jorge Andrade.

Desta forma, pretende-se colocar em prática, conforme a mesma fonte adiantou à Inforpress, o plano de reabilitação do habitat do Parque Natural do Monte Verde com a limpeza das plantas invasoras e reposição de plantas endémicas “em vias de extinção”.

Algo que contará com o financiamento, em cerca de 2.400 contos, do Fundo do Ambiente, que suporta ainda mais outros dois projectos em São Vicente ligados a questões ambientais, orçados, no total, em cerca de 8.000 contos, vencedores do concurso destinado a empresas privadas e organizações da sociedade civil.

Entretanto, esta restauração beneficia, segundo Jorge Andrade, não só o perímetro montanhoso do Monte Verde, mas também as zonas de Mato Inglês e Selada de Baleia, com o cultivo de “mais de seis mil plantas” conseguidas através de sementes e ainda criação de viveiros.

“Queremos beneficiar toda essa área para ter o Parque Nacional de Monte Verde em condições de ser um chamariz de turistas, e também para a preservação ambiental”, assegurou.

A AAMI depende por agora, disse o seu presidente, da construção de um viveiro, iniciado pelo Ministério da Agricultura, que neste momento tem a obra parada, “não se sabe porquê”, questionou Andrade.

“Mas, acho que isto deverá ser resolvido rapidamente e assim poderemos avançar com a criação das seis mil plantas, três mil com os viveiros de Monte Verde e Forca de Baleia, que pretendemos criar e as outras três mil através dos moradores de Mato Inglês”, explicou, adiantando que o objectivo é dar oportunidade à comunidade da zona, com cerca de 20 moradores, de ter “algum rendimento” com a criação de plantas endémicas.

“Porque a nossa luta não é só para o desenvolvimento de Monte Verde, mas também de Mato Inglês e de Selada de Baleia, que é um perímetro bem grande”, concretizou.

Nesta senda, ajuntou, a AAMI luta para a concretização de outros projectos, entre os quais um hotel rural na Selada de Baleia, com as obras em andamento e que ocupa a antiga casa do ex-presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Onésimo Silveira, para acolher, em princípio, entre oito a 20 pessoas.

Um empreendimento destinado mais a pessoas seniores, a partir dos 50, para tratamento de saúde e que poderão utilizar plantas naturais para este fim.

A zona de Mato Inglês também não fica de fora, pois, conforme a mesma fonte, pretende-se apetrechá-la com cavalos para passeios de turistas e outros visitantes e ainda erguer uma estátua em honra à Nossa Senhora de Fátima, cuja festa é celebrada nesta todos os anos na zona.

“Cada ano a festa tem ganhado mais moldura humana e acreditamos que pode desenvolver mais ainda”, assegurou Jorge Andrade, que acrescentou já terem autorização do bispo da Diocese do Mindelo para a construção da estátua, que representa o princípio da aposta que a AAMI deseja fazer no turismo religioso na região.

Uma estrutura sob a responsabilidade dos artistas mindelenses Ró e Nild ,e cuja realização, conforme a mesma fonte, deve contar com o apoio e doações dos devotos da santa e da população sanvicentina, em geral.

Mas para que tudo isso seja “melhor efectivado” vai ser preciso, considerou o presidente da AAMI, a construção da estrada de acesso a Mato Inglês, já com concurso lançado e mesmo com vencedor, a mesma empresa que reabilitou recentemente a estrada de Baía das Gatas, mas que “até então não se viu nada”.

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