O estudo, publicado na revista Science Advances, calculou quanta proteção adicional contra as inundações será necessária para manter, em níveis constantes, os riscos de inundações nos próximos 25 anos.

A menos que sejam tomadas medidas concretas, como aumentar os diques, melhorar a qualidade das construções, deslocalizar povoações e fazer a gestão de rios, o número de pessoas afetadas por inundações devastadoras poderá disparar, avisa a investigação.

As conclusões tiveram como base modelos dez vezes mais precisos do que as simulações climáticas comumente usadas.

O continente mais atingido, a crer no artigo científico, será a Ásia, onde número de pessoas afetadas pelas inundações de rios deverá passar de 70 para 156 milhões até 2040, afirmou.

"Na América do Sul, o número de pessoas afetadas por riscos de inundações provavelmente aumentará de seis para 12 milhões, e na África de 25 para 34 milhões", acrescentou.

Na Alemanha, o número de pessoas afeitadas deverá aumentar sete vezes, de 100 mil a 700 mil.

Na América do Norte, o número de afetados poderia aumentar de 100 mil para um milhão.

"Mais da metade dos Estados Unidos deve, pelo menos, duplicar seu nível de proteção nas próximas duas décadas, se quiser evitar um aumento dramático nos riscos de inundação de rios", disse o autor principal da pesquisa, Sven Willner, do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático.

O aumento dos riscos de inundação nas próximas décadas, devido aos rios, está a ser catalisada pela quantidade de gases de efeito estufa já emitida para a atmosfera, provocada pela queima de combustíveis fósseis. Estes gases retém o calor na Terra, mantendo uma maior humidade no ar e levando a mais chuvas.

O corte dessas emissões é, portanto, crucial, para reduzir os riscos de inundações para as gerações futuras.

"Está claro que, sem limitar o aquecimento causado por humanos, [para valores] bem abaixo dos dois graus Celsius, os riscos de inundação pelos rios neste século aumentarão em muitas regiões, até um nível em que não poderemos adaptar-nos", disse Anders Levermann, investigador da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

"Estas descobertas deveriam ser um aviso para quem toma decisões”, acrescentou Levermann.