O responsável pelo Projecto Vitó, Herculano Dinis, ao fazer o balanço dos dois dias de capacitação, destacou o “grande engajamento” de todos os sectores e forças vivas da ilha, assim como alguns resultados que saíram do workshop.
Como principal resultado apontou a necessidade de impulsionar uma proposta definitiva da criação de uma área protegida na ilha Brava, avançando que o Projecto Vitó e a Associação Biflores, as duas ONG que trabalham no processo de conservação, possuem esta percepção, contando também com a corroboração da população.
Além disso, sublinhou que do ponto de vista político quer o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente como o presidente da Câmara Municipal da Brava partem do princípio de que é uma necessidade para a ilha.
“É uma ilha extremamente rica em recursos naturais, e a criação de uma área protegida é mais que justificada”, defendeu o responsável.
Entretanto, deixou claro que para chegar até este propósito há um “grande caminho” a percorrer.
Igualmente, durante os dois dias, 26 e 27, debateu-se as “principais ameaças” à conservação da flora na ilha Brava, com destaque para o pastoreio livre, expansão agrícola, falta de sensibilidade e de conhecimento por parte de pessoas, desconhecimento da própria flora endémica e com necessidade de conservação e espécies invasoras como carrapato e freira, além da maioria dos terrenos serem privados.
Por seu turno, Gelsom Monteiro, membro da associação Biflores fez uma avaliação positiva do workshop, sublinhando que o mesmo serviu para reforçar e sistematizar os conhecimentos sobre a importância da biodiversidade de Cabo Verde, em especial da ilha Brava.
A partir de agora, Gelsom Monteiro acentuou que estão preparados para passar à sociedade um conjunto de resiliências que vai apoiar a biodiversidade.
Sobre a área reservada considerou-a de “extrema avalia”, não só para as plantas endémicas como também para os animais que fazem parte do ecossistema da Brava.
Segundo o mesmo, as áreas propostas são usadas de uma “forma incorrecta” com o pastoreio livre e prática de uma agricultura insustentável em ao ser delimitada e tomadas algumas medidas, a parte socioeconómica passa a ser “muito valorizada e desenvolvida”.
Como espaços para funcionar uma possível área reservada foram identificados a bacia hidrográfica de Fajã d´Água, o vale de Ferreiros e uma grande parte da orla costeira que abrange as aves marinhas como alcatraz e rabo-de-junco, na zona de Pedrinha e em Lomba Tantum.
MC/AA
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