Marciano Monteiro fez essa invocação em declarações à Inforpress, quando falava sobre a Bengala Branca, símbolo da independência das pessoas com deficiência visual, tendo desafiado os poderes de decisão a cumprirem com as suas missões de criar uma sociedade de inclusão onde o direito de todos é respeitado.

“As dificuldades de mobilidade na Cidade da Praia, assim com o nas outras cidades do país, onde pessoas cegas se movem diariamente são inúmeras e começa com a inexistência de sonorização nos semáforos das passadeiras existentes, bem como falta de informações sonoras para as paragens de autocarro e táxi”, disse Marciano Monteiro, almejando que um dia este sonho possa se concretizar.

O presidente da ADEVIC apontou ainda, a falta de sonorização das caixas de multibanco como outro desafio a vencer no país, criticando o facto dos bancos não pensarem em satisfazer os direitos das pessoas cegas fazendo com que consigam fazer pagamento ou levantar dinheiro.

Neste particular, realça que a legislação é clara e que as leis ratificadas pelo Governo quanto as pessoas com deficiência devem ser implementadas e fiscalizadas para que todos possam desenvolver competências e sejam integrados na sociedade assim como as pessoas ditas “normais”.

Apesar de tudo esse lamento, Marciano Monteiro reconhece que a Cidade da Praia, nos últimos anos, conheceu alguns avanços com a colocação de isóstases nas passadeiras e, por isso, apela aos outros municípios a seguirem o exemplo para o bem-estar das pessoas com baixa visão ou invisuais.

Face aos problemas existentes, assegurou que o número de pessoas com deficiência visual que usam a bengala branca é mínimo, visto que muitos têm medo de sofrer acidentes, pelo que preferem prescindir da sua independência para serem guiadas por outrem.

“Não é preciso ir muito longe é basta vermos a situação das ruas e estradas de Achada São Filipe, bairro onde está situado a nossa sede e onde passamos maior parte do tempo, para concluirmos que não existe condições para que muitos cegos usam a bengala”, disse.

Para assinalar a data, a ADEVIC realizou em parceria com uma escola de condução uma palestra onde a conversa incidiu sobre o tema “Segurança Rodoviária” aos seus membros.

A data, que tem como objectivo reconhecer a independência das pessoas com deficiência visual, bem como a plena participação na sociedade, e a sua autonomia no dia-a-dia é, do ponto de vista de Marciano Monteiro, uma forma de admitir que a bengala branca é fundamental para à questão de acessibilidade e autonomia.

O Dia Mundial da Bengala Branca foi estabelecido pela Federação Internacional de Cegos, em 1970, e serve para chamar a atenção para os direitos e necessidades das pessoas cegas, já que a bengala é o símbolo da sua autonomia, independência e segurança.

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