Investir o equivalente a US$ 1,8 trilhão (R$ 7,4 trilhões) na próxima década – em medidas para se adaptar às mudanças climáticas – pode produzir benefícios líquidos quatro vezes maiores, de mais de US$ 7,1 trilhões (R$ 29 trilhões).

A conclusão consta em uma análise de custo-benefício global que estabelece cinco estratégias de adaptação.

O estudo foi realizado pela Comissão Global de Adaptação – um grupo de 34 líderes em política, negócios e ciência.

Eles dizem que o mundo precisa urgentemente se tornar mais “resiliente às mudanças climáticas”.

A comissão, liderada pelo ex-secretário geral da ONU Ban Ki-moon, a executiva-chefe do Banco Mundial Kristalina Georgieva e o cofundador da Microsoft Bill Gates, argumenta que os países ricos têm uma obrigação moral urgente de investir em medidas de adaptação que beneficiarão o mundo.

Segundo o relatório, os mais afetados pelas mudanças climáticas “foram os que menos causaram o problema – tornando a adaptação um imperativo humano”.

O principal objetivo do estudo é colocar a adaptação às mudanças climáticas na agenda política em todo o mundo. E, para isso, estabelece “soluções concretas” e um plano econômico.

Há cinco coisas nas quais o mundo deve investir na próxima década:

  • Sistemas de alerta:
    Para as ilhas vulneráveis e as comunidades costeiras, em particular, alertas antecipados sobre tempestades, marés muito altas e outras condições climáticas extremas podem salvar vidas. Um melhor monitoramento climático e um aplicativo simples para as comunidades pesqueiras das Ilhas Cook, por exemplo, permitem planejar de acordo com as condições do mar.
  • Infraestrutura:
    construção de melhores estradas, prédios e pontes para se adaptar às mudanças climáticas. Um projeto na cidade de Nova York decidiu pintar os telhados de branco – o que reflete o calor e resfria edifícios e bairros.
  • Aperfeiçoar a agricultura da terra seca:
    algo tão simples quanto ajudar os agricultores a mudarem para variedades de café mais resistentes à seca pode proteger os meios de subsistência e prevenir a fome
  • Restaurar e proteger os manguezais:
    As florestas subaquáticas de manguezais protegem cerca de 18 milhões de pessoas das inundações costeiras, mas estão sendo destruídas pelo desenvolvimento. Projetos de restauração podem proteger comunidades vulneráveis de tempestades e aumentar a produtividade da pesca
  • Água:
    proteger o suprimento de água – e garantir que a água não seja desperdiçada – será vital em um cenário de mudança climática

Cada um desses investimentos, segundo a comissão, contribuiria para o que eles chamam de “dividendo triplo” – ou seja, evitando perdas futuras, gerando ganhos econômicos positivos por meio da inovação e oferecendo benefícios sociais e ambientais. É esse dividendo que o relatório avalia em US$ 7,1 trilhões.

Sobre as conclusões do estudo, Ban disse que a mudança climática “não respeita fronteiras”.

“É um problema internacional que só pode ser resolvido com cooperação e colaboração, além-fronteiras e em todo o mundo. Está se tornando cada vez mais claro que em muitas partes do mundo nosso clima já mudou e precisamos nos adaptar a ele”.

O relatório insta “revoluções” no entendimento, planejamento e finanças – para “garantir que os impactos, riscos e soluções climáticos sejam levados em consideração na tomada de decisões em todos os níveis”. Transformar suas recomendações em ação será o próximo esforço; haverá um anúncio adicional sobre os planos de adaptação na Cúpula do Clima da ONU, em setembro.


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Escrito por: Victoria Gill - BBC News

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