Esta activista do Movimento Federalista Pan-Africano de Cabo Verde, lançou o alerta depois de apresentar o tema “Korua di nha identidade” no painel Resistência negra: ancestralidade e identidade da II Universidadi Nhanha Bongolon – II Seminário Internacional Tecendo Redes Anti-racistas: Áfricas, Brasis, Portugal, que acontece desde quarta-feira, até hoje, na cidade da Praia.

Segundo esta também estudante do curso de mestrado em Integração Africana, da Universidade de Cabo Verde a estética é uma questão ainda “não muito transparente” na sociedade cabo-verdiana.

Conforme disse, o modo como as pessoas se apresentam ainda causa “um bocadinho” de pânico noutras pessoas, uma vez que existe ainda “aquele modelo” em que “o bem apresentar” significa se trajar com roupas europeias, ter cabelo desfrisado e traços finos.

“As pessoas que apresentam um visual com traços mais africanos são, muitas vezes, motivo de chacota ou atitudes discriminatórias”, acrescentou.

Essa é, como afirmou Orícia Monteiro, a conclusão de uma experiência com uma página no Facebook, “que ainda está na sua fase embrionária”: a Preta Cabelo Bedju. A mesma (página), explicou, tem pesquisado sobre assunto e, inclusive, tem um grupo onde se discute a questão de estética, do cabelo e também da pele.

Prosseguindo, esta estudante acrescentou que se verificou, entre as pessoas que fazem parte do grupo, que a utilização do cabelo crespo, por exemplo, entrou na moda a partir de 2015 em Cabo Verde muito por influência de páginas brasileiras, norte-americanos e de YouTubers que discutem a problemática do cabelo.

A página Preta Cabelo Bedju propõe, de acordo com esta activista, falar sobre a questão do cabelo além da moda. “Propõe mesmo trabalhar questão de identidade”, reforçou Orícia Monteiro, informando ainda que se chegou a perguntar no grupo da referida página se a utilização do cabelo crespo é uma questão de moda, beleza ou identidade e que a maioria dos membros respondeu moda e beleza.

Durante a sua argumentação, esta integrante do MFPA Cabo Verde, deu o exemplo de um caso ocorrido, há alguns anos na cidade da Praia, em que uma aluna foi impedida de entrar na escola que frequentava por causa do seu cabelo. O caso em particular, disse, teve muita visibilidade porque a visada “é filha de quem ela é”.

Conforme defendeu Orícia Monteiro, tem muitas outras meninas na mesma situação que são ridicularizadas com frases discriminatórias por causa das suas aparências. Além disso, esta entrevistada, citou ainda casos de músicas cantadas por artistas cabo-verdianos que ridicularizam a mulher negra de cabelo crespo.

Nisto tudo, esta estudante do curso de mestrado em Integração Africana, disse pensar que a academia poderia ajudar a levar esse tipo de assunto para as escolas, comunidades, fazendo conferências e palestras para divulgar mais sobre a identidade africana e contribuir para a desmistificação do tema.

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